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domingo, 18 de maio de 2008

9º ANO: BIOGRAFIA "ANTÓNIO SÉRGIO" HISTORIADOR

António Sérgio
A vida e obra de um autor que se dedicou, entre outros temas, à análise de questões históricas, políticas e económicas. A acção pedagógica constituiu motivo de vários trabalhos deste destacado ensaísta e pensador português.
António Sérgio de Sousa Júnior

Vida e obra de António Sérgio
Ensaísta e pensador português, António Sérgio nasceu em Damão, à data uma colónia Portuguesa na Índia, em 1883. Iniciou a sua carreira na Marinha, ingressando na Armada, que viria a abandonar após a implantação da República, em 1910. Redigida desde 1903, a obra Notas sobre os sonetos e as "Tendências" de Antero de Quental, constitui o seu primeiro trabalho publicado, em 1908, desenvolvido até esta data. Colaborou nas revistas A Águia e Vida Portuguesa e pertenceu ao grupo da Renascença Portuguesa, que abandonou, em 1913, por dissidências com a doutrina de Teixeira de Pascoaes, cujas potencialidades de intervenção e renovação da vida portuguesa considerava ineficazes. Fundou depois as revistas Pela Grei (1918) e Seara Nova (1921). Exilou-se, por motivos políticos, após a revolução de 28 de Maio de 1926, tendo sido destituído do cargo que ocupava na Biblioteca Nacional.Em conjunto com outros nomes que se inscreviam no “Grupo da Biblioteca Nacional”, como Aquilino Ribeiro, Jaime Cortesão e Raul Proença, lançou a revista Lusitânia, em 1924. Regressou mais tarde a Portugal, prosseguindo o seu trabalho de ensaísta e conferencista. A sua extensa obra inclui numerosos artigos que integraram a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. António Sérgio participou nas polémicas fundamentais do seu tempo. Entre outras posições assumidas, manifestou-se contra o saudosismo (enquanto programa para o país), contra o culto do mito sebastiânico e contra a aceitação, sem crítica prévia, de certas correntes filosóficas, crendo sempre na necessidade de fazer intervir, activa e dinamicamente, o espírito humano na relação com o mundo. Entende-se, assim, o seu esforço de acção pedagógica e o seu racionalismo, bem como o programa de reforma das mentalidades a que se propôs, e que passava, por exemplo, pelo trabalho de adaptação escolar de textos clássicos, pela prefaciação e tradução de vários autores e pela sua luta por uma educação cívica que conduzisse a uma intervenção consciente e democrática por parte dos cidadãos. Neste contexto, salientam-se obras como "Considerações Histórico-Filosóficas", "O Problema da Cultura", "O Ensino como factor de ressurgimento" e "A Educação Profissional". No ano de 1923, durante dois meses, foi responsável pela pasta de instrução do governo. António Sérgio foi ainda fundador do Instituto Português de Oncologia.
Longe de se limitar a problemas culturais, António Sérgio, cuja obra se destaca pela autenticidade das ideias, dedicou-se igualmente à análise de questões históricas, políticas e económicas, defendendo, por exemplo, uma economia de base cooperativa para o país. Destaca-se, neste contexto, a homenagem a António Sérgio através da criação do Instituto António Sérgio do Sector Cooperativo – Inscoop, pertencente ao Ministério do Planeamento e Administração do Território. O Inscoop foi criado em 31 de Dezembro de 1976, pelo Decreto-Lei n.º 902/76. O nome atribuído a este Instituto "rende homenagem a um dos mais representativos pensadores portugueses do século XX que advogou entre nós o cooperativismo como a instituição social mais capaz de resolver democraticamente o problema económico e como escola altamente eficiente de formação cívica e aperfeiçoamento da própria condição humana. (Prof. Henrique de Barros no discurso de tomada de posse da Comissão Instaladora do Inscoop, in O Instituto António Sérgio do Sector Cooperativo, p.17/18)." Equacionando os vários aspectos da vida de Portugal (económico, histórico, político, literário), António Sérgio confrontou-se abertamente com outros pensadores da época, suscitando, por vezes, viva reacção. Grande vulto do pensamento português do século XX e nome fundamental da geração da República, António Sérgio, considerado mesmo como o principal ensaísta português, participou nas polémicas fundamentais do seu tempo, tendo iniciado, em 1920 a edição dos seus Ensaios. A expressão de um pensamento livre e a veêmencia da reflexão apresentada caracterizam a edição destes volumes de Ensaios iniciada em 1920. Até 1958, os Ensaios publicados, num total de oito volumes, abrangem vários temas como o conceito de patriotismo, ou a importância, para a democracia, da opinião pública. "Religiosamente agnóstico mas tolerante", António Sérgio manifestava diversas afinidades com o cristianismo. Morreu pobre no ano de 1969. Entre as suas obras mais significativas contam-se Bosquejo da História de Portugal (1923), O Desejado (1924), O Seiscentismo (1926), Cartesianismo Ideal e Cartesianismo Real (1937), Antero de Quental e António Vieira (1948), Cartas do Terceiro Homem (1953-1957) e Democracia (1947). A vida e obra de António Sérgio serviram de inspiração a várias escolas que o homenageiam com o seu nome, como a Escola Secundária António Sérgio, em Vila Nova de Gaia; Escola Secundária António Sérgio, no Cacém; Escola E. B. 2, 3 António Sérgio, em Sintra, Externato António Sérgio, em Beja; Instituto António Sérgio, no Porto e ainda o Centro de Formação António Sérgio.

A Renascença Portuguesa
O movimento cultural da Renascença Portuguesa, iniciado em 1912 e activo no primeiro quartel do século XX, teve como principal mentor, sobretudo até 1916, Teixeira de Pascoaes, com a sua teoria do saudosismo e, numa segunda fase, Leonardo Coimbra. O seu órgão principal foi a revista A Águia, propriedade do grupo entre 1912 e 1932. Fundada por Jaime Cortesão, Pascoaes, Leonardo Coimbra e Álvaro Pinto, a associação da Renascença Portuguesa procurava, através da acção cultural, levar a cabo a reconstrução do país, lidando com os graves problemas que a instauração da República não conseguira resolver, nas áreas educativa, social, económica e religiosa. Em A Águia colaboraram, para além dos já referidos, Mário Beirão, António Correia de Oliveira, Afonso Lopes Vieira, Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro. O movimento deu ainda azo a uma intensa actividade editorial. Embora congregasse personalidades e tendências diferentes, tinha subjacente um ideal nacionalista comum ligado, no plano literário, ao neogarrettismo e, filosoficamente, a um sebastianismo messiânico. Dissidências internas levaram, em 1912, à saída de Pessoa e de Sá-Carneiro, cujas personalidades se adequavam mais ao movimento da revista Orpheu, que viriam a fundar. Desligaram-se também do grupo António Sérgio, que se opunha ao lusitanismo tradicionalista e improdutivo de Pascoaes (1913-14), e Jaime Cortesão e Raul Proença, atentos igualmente às modernas correntes do pensamento europeu; estes fundaram, com António Sérgio, a Seara Nova (1921). Na revista A Águia, em diversos números publicados entre 1913 e 1914, expressam-se com clareza as duas posições antagónicas, de António Sérgio, por um lado, valorizando a europeização, o progresso técnico, o económico e, por outro, Teixeira de Pascoaes, defendendo o neo-romantismo, a mitogenia, o fastio face a uma sociedade industrial... A Renascença Portuguesa editava também o quinzenário Vida Portuguesa; a partir de 1928, a revista Portucale prosseguiu o espírito de A Águia. Deve-se à associação da Renascença Portuguesa a criação das Universidades Populares e da primeira Faculdade de Letras do Porto.

A revista Seara Nova
Publicada entre 1921 e 1982, a revista Seara Nova, assumiu-se como uma publicação "de doutrina e crítica", tendo congregado um conjunto de nomes da cultura portuguesa da época. O seu grupo fundador incluía Raul Brandão, Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro, Câmara Reis, Augusto Casimiro e Raul Proença. O grupo pretendia intervir activamente na vida política do país, aproximando a elite intelectual da república da realidade portuguesa, e servindo-se da revista como foco de acção pedagógica e doutrinária. Três dos seus fundadores (Cortesão, Brandão e Casimiro) tinham abandonado a revista Águia por esta não corresponder ao seu desejo de intervenção. António Sérgio inclui-se entre os colaboradores que nela vieram a participar ao longo dos seus 60 anos de existência. Convidado a participar no corpo directivo da revista, António Sérgio integrou a sua direcção a partir de 1923 e nela se consagrou como pensador e crítico notável. Teixeira Gomes, Hernâni Cidade, João de Barros, José Rodrigues Miguéis, Álvaro Salema, Adolfo Casais Monteiro, Jorge de Sena, Sarmento Beires e Sarmento Pimentel foram outros importantes nomes que colaboraram com a revista Seara Nova.
Bibliografia
Site Universalhttp://www.universal.pt/
Instituto Camõeshttp://www.instituto-camoes.pt/entrar.html
Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, Verbo.

9º ANO: BIOGRAFIA "ALMADA NEGREIROS" ARTISTA FUTURISTA


José Sobral de Almada Negreiros

Artista plástico e escritor português, é autor de uma obra singular, que sintetiza as tendências modernistas e futuristas em Portugal nas primeiras décadas do século XX.
Breve biografia
José Sobral de Almada Negreiros nasceu em S. Tomé e Príncipe, na Roça da Saudade, em 7 de Abril de 1893. O seu pai, o tenente de cavalaria António Lobo de Almada Negreiros, era então administrador do concelho de S.Tomé. Dedicava-se ao jornalismo e chegou a fundar vários jornais, sendo também um estudioso da questão colonial. Sua mãe, Elvira Sobral, que morreu quando Almada Negreiros tinha apenas três anos, nasceu em S. Tomé e foi educada num colégio de Coimbra. Também em S.Tomé e Príncipe nasceu o seu irmão António.Em 1900, com sete anos, Almada Negreiros ingressa como aluno interno no colégio jesuíta de Campolide. Nesse mesmo ano o seu pai é chamado a Paris, para ter a seu cargo o Pavilhão das Colónias na Grande Exposição Universal de 1900. António de Almada Negreiros acabou por fixar residência na capital francesa, e aí casou pela segunda vez.Em 1905, o jovem José produz os seus primeiros jornais (manuscritos): A República, O Mundo e Pátria.No decurso da proclamação da República, em Outubro de 1910, e do consequente movimento anti-clericalista, os Jesuítas são excluídos e o colégio de Campolide é encerrado. Após uma breve passagem pelo liceu de Coimbra, Almada Negreiros começa a frequentar a Escola Internacional de Lisboa em 1911. A liberdade que aqui encontrou encontrou revelar-se-á determinante para a sua evolução artística.1913 é o ano em que Almada, então com vinte anos, publica o seu primeiro desenho; é também o ano da sua primeira exposição individual, que inclui cerca de noventa desenhos. É graças a esta exposição que conhece Fernando Pessoa, redactor de uma das críticas à mesma. Nasce uma sólida amizade e uma profícua relação de trabalho.Almada não pára de escrever e ilustrar mas não fica por aí. Integra o movimento que publica, em 1915, a revista literária Orpheu, um marco no movimento modernista português e um “atentado” para a moral vigente na sociedade portuguesa. Ainda em 1915, assina o Manifesto Anti-Dantas, uma crítica cerrada a uma sociedade e um país parados no tempo, que ele assina: “POETA D’ORPHEU, FUTURISTA E TUDO”.Almada Negreiros ruma a Paris em 1919. No ano anterior havia perdido dois companheiros: Amadeo de Souza Cardoso e Guilherme Santa Rita. Regressa em 1920, para partir de novo em 1927, desta vez para Madrid, de onde regressa em 1932. Um percurso semeado de poemas, peças de teatro, textos, cartazes e até capas de livros. Em pleno Estado Novo, em 1933, Almada executa algumas encomendas do regime, como o cartaz “Votai uma Nova Constituição”, criado para o Secretariado da Propaganda Nacional (SPN). Em 1934, casa com a pintora Sarah Afonso, mãe dos seus dois filhos.Em 1938, Almada conclui os polémicos vitrais da igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa. O público mostra-se “incomodado” com tanta modernidade. Mais uma vez, Almada ignora-os e segue em frente, trabalhando sem parar. 1943 vem encontrá-lo ocupado com a concepção dos vitrais para o Pavilhão da Colonização, integrado na exposição “O Mundo Português”. Ironicamente, o presidente da comissão executiva da exposição é... Júlio Dantas. Os amigos não criticam - Almada é um grande artista mas os grandes artistas também têm de comer...Em 1954, por encomenda, pinta a tela que representa Fernando Pessoa para o restaurante “Irmãos Unidos”.Em 1959, é-lhe atribuído o Prémio Nacional das Artes. Ainda neste ano, Almada subscreve um manifesto público que contesta a nomeação de Eduardo Malta para a direcção do Museu de Arte Contemporânea.Em 1960, é-lhe concedido o Grande Oficialato da Ordem de Santiago Espada. Em, 1968, com setenta e cinco anos, Almada executa frescos para a Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e um painel para o átrio da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.Em 15 de Junho de 1970, ano em que assina o acordo para a publicação das suas obras completas, José de Almada Negreiros morre, no mesmo hospital e no mesmo quarto onde morrera Fernando Pessoa.
A actividade artística e literária de Almada Negreiros
O movimento artístico português, no qual Almada Negreiros irrompeu, era maioritariamente composto por artistas que se limitavam a satisfazer, sem chocar, os gostos de uma sociedade estática e conservadora. Almada não cala. No seu Manifesto Anti-Dantas afirma: “(...) é uma geração que nunca o foi. É um coio d’indigentes, d’indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e vendidos, e só pode parir abaixo de zero! Abaixo a geração!”.Almada foi co-fundador da revista Orpheu, à qual se deve a introdução do movimento futurista na cena literária nacional. Nela colaboraram, entre outros, Mário de Sá-Carneiro, Fernando Pessoa e Ângelo de Lima. A revista, influenciada pelo cosmopolitismo e pelas vanguardas europeias, pretendia agitar o meio cultural português, o que fez com sucesso. Apesar de apenas dois números terem sido publicados, a revista Orpheu deu alento ao surgimento de novos projectos. É o caso das revistas Portugal Futurista (1917), cujo primeiro e único número é uma raridade por ter sido apreendido pela polícia, e Presença (1927).Almada Negreiros colaborou ainda nas revistas Contemporânea, Athena, Portugal Futurista e Sudoeste. Participou em numerosas exposições, tendo a sua actividade artística abrangido a pintura, a tapeçaria, a decoração e a concepção de figurinos para espectáculos de teatro e dança.Como artista plástico, são de realçar os seus murais na Gare Marítima de Lisboa, os vitrais da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, e as telas Maternidade e Retrato de Fernando Pessoa.Enquanto escritor, escreveu peças de teatro:
Antes de Começar (1919);
Pierrot e Arlequim (1924);
Deseja-se Mulher (1928);e o romance Nome de Guerra, considerado um dos romances fundamentais do século XX português por ser o primeiro romance em que se evidenciam características do movimento modernista. Somam-se a este A Engomadeira e K4 O Quadrado Azul, qua aparece sob a forma de um folheto e apresenta-se constituído por um único parágrafo compacto, com cerca de vinte páginas impressas. São da sua autoria os poemas Meninos de Olhos de Gigante (1921), A Cena do Ódio (1915), As Quatro Manhãs (1953) e Começar.É também autor de uma série de textos críticos e polémicos, dispersos pelas publicações com as quais colaborava. De entre estes destacam-se o Manifesto Anti-Dantas (1915), o Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas (1917) e A Invenção do Dia Claro (1921), uma conferência sob a forma de poema.

O Modernismo - breve síntese
Entre 1880 e o início da II Guerra Mundial, assistiu-se a uma proliferação de estilos e correntes artísticas na arte e arquitectura europeias. A este conjunto foi dado o nome de Modernismo. É uma designação polémica devido à sua abrangência mas pode-se considerar que as obras integradas no Modernismo partilham duas características fundamentais:
Inovação formal; regra geral cada geração de modernistas tentava desenvolver os aspectos mais originais da obra deixada pelos seus predecessores.
A convicção de que a Arte pode constituir uma resposta aos problemas da vida moderna. Infelizmente, não existia um consenso quanto à natureza desses problemas e à melhor forma de os abordar.Assim, talvez se possa considerar que o Modernismo é um conjunto de diferentes formas de expressão artística que, apesar das suas visíveis divergências, têm em comum um núcleo fundamental de convicções sobre a Arte e o mundo as rodeia. O pintor francês Paul Cézanne (1839-1906) é considerado um dos pioneiros do Modernismo. Em Portugal, Espanha e Brasil, o Modernismo representa o movimento de ruptura com a tradição naturalista do final do século XIX, de acordo com as tendências e os modelos desenvolvidos em França.Em Portugal, a geração ligada à génese da revista Orpheu foi a introdutora do Modernismo. Nas artes plásticas destacam-se Amadeo de Souza Cardoso e Santa-Rita Pintor. Considera-se que a revista Presença, publicada entre 1927 e 1940, marca, na literatura portuguesa, um segundo Modernismo, que recupera e promove a geração de Orpheu, cujo reconhecimento público fora reduzido.

O Futurismo - breve síntese
Em 20 de Fevereiro de 1909, o editor e poeta italiano Filippo Tommaso Marinetti, que se auto-denominava “a cafeína da Europa”, publicou no jornal francês Le Figaro um manifesto intitulado “Fundação e Manifesto do Futurismo”.Este manifesto é um ataque frontal a tudo o que seja velho, entediante e “feminino” e faz a apologia de experiências estimulantes e “másculas” como a guerra. Apesar de o objectivo declarado deste manifesto ser libertar a Itália do passado, o seu real propósito é promover o gosto por experiências mais radicais e libertadoras. A este manifesto seguiram-se os manifestos da Pintura Futurista (1910) e da Escultura Futurista (1912).Estes manifestos foram co-elaborados e/ou subscritos pelo arquitecto Umberto Boccioni (1882-1916), pelo pintor Giacomo Balla (1871-1958) e por Anton Giulio Bragaglia (1890-1960), que se dedicou à fotografia.Uma das facetas do Modernismo está ligada à agressividade, ao elogio da máquina e ao agitar da vida moderna. Exprime-se pela enorme quantidade de frases exclamativas, de invectivas e de insultos, com o intuito de erradicar hábitos culturais retrógados.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

9º ANO: BIOGRAFIA "ANTÓNIO GEDEÃO"-POETA

Rómulo Vasco da Gama de Carvalho
António Gedeão
Nascimento:1906 Lisboa
Morte:1997
País:Portugal
Poeta, professor e historiador da ciência portuguesa. António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho, concluiu, no Porto, o curso de Ciências Físico-Químicas, exercendo depois a actividade de docente. Teve um papel importante na divulgação de temas científicos, colaborando em revistas da especialidade e organizando obras no campo da história das ciências e das instituições, como A Actividade Pedagógica da Academia das Ciências de Lisboa nos Séculos XVIII e XIX. Publicou ainda outros estudos, como História da Fundação do Colégio Real dos Nobres de Lisboa (1959), O Sentido Científico em Bocage (1965) e Relações entre Portugal e a Rússia no Século XVIII (1979). Revelou-se como poeta apenas em 1956, com a obra Movimento Perpétuo. A esta viriam juntar-se outras obras, como Teatro do Mundo (1958), Máquina de Fogo (1961), Poema para Galileu (1964), Linhas de Força (1967) e ainda Poemas Póstumos (1983) e Novos Poemas Póstumos (1990). Na sua poesia, reunida também em Poesias Completas (1964), as fontes de inspiração são heterogéneas e equilibradas de modo original pelo homem que, com um rigor científico, nos comunica o sofrimento alheio, ou a constatação da solidão humana, muitas vezes com surpreendente ironia. Alguns dos seus textos poéticos foram aproveitados para músicas de intervenção. Em 1963 publicou a peça de teatro RTX 78/24 (1963) e dez anos depois a sua primeira obra de ficção, A Poltrona e Outras Novelas (1973). Na data do seu nonagésimo aniversário, António Gedeão foi alvo de uma homenagem nacional, tendo sido condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Sant'iago de Espada.

Pedra filosofal
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso,
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos,
que em oiro se agitam,
como estas aves
que gritam em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho alacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que foça através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara graga, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa dos ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, paço de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão de átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que o homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

Lágrima de preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

8º ANO: BIOGRAFIA-MOZART: MÚSICA

MozartEste dossier temático aborda a vida curiosa e a obra singular de Mozart, um dos maiores compositores de música clássica de sempre, que nasceu e viveu numa época em que a música grassava como sinal de cultura e o interesse músico-cultural se intensificava e desenvolvia a passos largos...
Barbara Kraft: Retrato póstumo de Mozart, 1819.

Breve biografia

Nascido às 20 horas do dia 27 de Janeiro de 1756 em Hagenauerhaus, n.º 9 de Getreidegasse, na Áustria, Amadeus Mozart, de seu nome completo Johannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart, foi um génio musical descoberto precocemente.
Filho de Leopold Mozart e de Anna Maria Mozart, tinha também uma irmã, a quem foi dado o nome de Maria Anna Mozart (Nanerl, para a família e amigos mais próximos).O pai, um violinista que tocava na corte do príncipe arcebispo de Salzburgo, foi desde cedo um acérrimo defensor da presença da música na vida dos filhos, ensinando-os a tocar cravo e estimulando-lhes o gosto e hábitos musicais assim que se apercebeu do talento de ambos para a música.Em 1761, com 5 anos apenas, Mozart dava início àquele que seria durante muitos anos o seu modo de vida: apresentações públicas e múltiplas viagens. Estima-se que Mozart tenha totalizado cerca de 3720 dias de viagens, o que representou um terço da sua curta vida.
A sua estreia ocorreu no dia 1 de Setembro de 1761 em Salzburgo, no teatro escolar latino Sigismundus Hungariae Rex, num espectáculo em que participou como cantor.No dia 12 de Janeiro de 1762 o pai decidiu embarcar com os dois talentosos filhos numa viagem com destino a Munique, na Alemanha. Esta durou três semanas e resultou na apresentação dos dois irmãos ao princípe Maximiliano III de Baviera. Foi a primeira apresentação artística de ambos.No Outono desse ano, a família Mozart deslocou-se até Viena onde, no dia 13 de Outubro Mozart teve a sua primeira audição perante a Imperatriz Maria Teresa.Mas seria no ano de 1763 aquando do aniversário do príncipe arcebispo (que nomeara o seu pai como vice-maestro de capela) que Mozart faria a sua apresentação oficial como músico.No Verão desse ano, Leopold partiu novamente com a sua família numa viagem que os levaria até França e onde chegaram a 18 de Novembro de 1763. Durante a estadia em Paris foram imprimidas as primeiras obras de Mozart: as sonatas para piano K 6 e K 7 para Madame Victoire de França e as sonatas K.8 e K.9 para a Condessa Adrienne-Catherine de Tessé. Estas obras valeram-lhe o aplauso, o assombro e o encantamento de todos quanto as ouviram.A 23 de Abril de 1764, a família Mozart chegou a Londres onde as duas crianças deram vários espectáculos na corte do rei George III e da sua esposa, Sophie Charlotte, a quem Mozart dedicou as suas seis sonatas para piano e violino K.10 a K.15.Em Londres, Mozart conheceu Johann Christian Bach, último filho de Johann Sebastian Bach, que exerceu grande influência nas suas primeiras obras.Depois de algum tempo em Londres, tendo a família decidido partir em direcção ao seu país natal, eis que um pedido insistente do embaixador holandês os fez mudar de rumo em direcção à Holanda. Depois de vários espectáculos pela Holanda, Suíça e Alemanha, a família Mozart regressa finalmente a Salzburgo, a 29 de Novembro de 1766, após uma ausência de quase três anos e meio. Mas, no ano de regresso, alastrava em Salzburgo uma epidemia de varíola. Numa tentativa de fuga à epidemia, a família muda-se para Viena. Mas apesar dos esforços, as duas crianças acabaram por contrair a doença.No final de Janeiro de 1768, Mozart obtém um aval para começar a desenvolver uma opera buffa, seguindo uma sugestão do Imperador José II. Em Abril de 1768 começa a compor La Finta Semplice (K.51), que termina em Julho desse mesmo ano. Entretanto, a opereta Bastien und Bastienne (K.50), outra aclamada obra de Mozart, foi apresentada ao Dr. Anton Mesmer em Setembro de 1768. Em Dezembro desse ano, a família Mozart partiu de Viena e regressou a Salzburgo em Janeiro de 1769. Depois de muitos obstáculos, foi apenas em Maio de 1769 que conseguiram a apresentação de La Finta Semplice (K.51).Em Dezembro de 1769, a família realizou a tão esperada viagem a Itália. Entre 1770 e 1773 Mozart visitou a Itália por três vezes. Lá, compôs a ópera Mitridate, que foi um grande êxito. Depois de uma série de apresentações, a 17 de Outubro de 1771, o libreto Ascanio in Alba foi apresentado na celebração do matrimónio entre o Arquiduque Ferdinando da Áustria e a Princesa Maria Beatrice Ricciarda d'Este de Modena. No dia 30 de Novembro de 1771, os Mozarts foram recebidos pelo próprio Arquiduque.Mas em 1772 a eleição do conde Hieronymus Colloredo como arcebispo de Salzburgo mudaria os hábitos de viajante de Mozart. Colloredo não via com bons olhos que um de seus músicos, considerado por ele um mero serviçal, passasse tanto tempo em viagens fora da corte. Por isso, a maior parte dessa década foi passada em Salzburgo, onde Mozart cumpriu os seus deveres de mestre de concerto (Konzertmeister), compondo missas, sonatas de igreja, serenatas e outras obras. Mas o ambiente de Salzburgo, cada vez mais sem perspectivas, levava a uma constante insatisfação do artista com a sua situação.Em 1777, Mozart quis tentar a sua sorte em outras paragens e decidiu partir, acompanhado por sua mãe, para Paris, cidade onde esta acabaria por falecer em Julho de 1778. Com o desaparecimento da mãe, Mozart deixou Paris, dirigindo-se então para Munique.Em 1781, Hieronymus Colloredo ordenou a Mozart que se juntasse a ele e à sua comitiva em Viena. Mas, insatisfeito por ser colocado entre os criados, ele pediu a demissão. A partir daí passou a viver da renda obtida com concertos, a publicação das suas obras e aulas particulares. Inicialmente teve sucesso, e o período entre 1781 e 1786 foi um dos mais prolíficos da sua carreira. Um período durante o qual compôs óperas (Idomeneo - 1781; O Rapto do Serralho - 1782), sonatas para piano, música de câmara (especialmente os seis quartetos de cordas dedicados a Haydn) e, principalmente, uma deslumbrante sequência de concertos para piano. A 24 de Dezembro de 1781 Mozart competiu com Muzio Clementi num concurso de pianoforte perante o imperador José II. A 16 de Julho de 1782 realizou-se a primeira apresentação pública de O Rapto do Serralho ( Die Entführung aus dem Serail - K.384), no Burgtheater. Este foi o trabalho de Mozart que mais sucesso obteve fora de Viena.A 4 de Agosto de 1782 Mozart casou com Constanze Weber, contra a vontade do pai dele. Tiveram vários filhos, mas apenas dois sobreviveram.Em 1786, compôs a sua primeira ópera em colaboração com o libretista Lorenzo da Ponte - As Bodas de Fígaro (Le nozze di Figaro - K.492) -, que estreou no Burgtheater no dia 1 de Maio de 1786. A ópera fracassou em Viena, mas fez um sucesso tão grande em Praga que Mozart recebeu a encomenda de uma nova ópera. Durante esse ano As Bodas de Fígaro foram representadas nove vezes.A partir de 1786 a sua popularidade começou a diminuir junto do público vienense e logo os problemas financeiros começaram a aparecer. No entanto, isso não o impediu de continuar a compôr obras-primas como quintetos de cordas (K.515 em Dó maior, K.516 em Sol menor em 1787), sinfonias (K.543 em Mi bemol maior, K.550 em Sol menor, K.551 em Dó maior em 1788) e um divertimento para trio de cordas (K.563 em 1788). No entanto, nos últimos anos de vida, a sua produção declinou devido a problemas financeiros e à saúde precária dele e de sua esposa, Constanze.A 7 de Abril de 1787, Ludwig van Beethoven, de 16 anos, chegou a Viena vindo de Bona a fim de ter aulas com Mozart. Mas ficou naquela cidade apenas duas semanas. A 28 de Maio o pai de Mozart morre em Salzburgo.A 29 de Outubro de 1787 Mozart conduziu as primeiras representações de Don Giovanni, no National Theater em Praga e, em 1 de Dezembro desse mesmo ano, José II nomeou Mozart como compositor oficial de Câmara (Kammermusicus) auferindo um salário de 800 florins por ano.A 26 de Janeiro de 1790, a ópera Così fan tutte (K.588) foi apresentada pela primeira vez no Burgtheater.Em 1791, Mozart compôs as suas duas últimas óperas: A Clemência de Tito e A Flauta Mágica -, o seu último concerto para piano (K.595 em si bemol maior) e o belo concerto para clarinete em lá maior (K.622). Na Primavera desse ano, recebeu a encomenda de um requiem (K.626). Com a saúde cada vez mais debilitada, Mozart conseguiu ainda, a 18 de Novembro de 1791, reger a cantata Laut. verkunde unsre Freude (K.623) que dedicou ao novo templo da casa maçónica. No dia 20 de Novembro de 1791, Mozart ficou acamado, tendo falecido 15 dias depois, na madrugada de 5 de Dezembro. Mozart deixou a obra em que trabalhava inacabada (há uma lenda que diz que o requiem em questão se destinava à sua própria missa de sétimo dia) tendo aquela sido posteriormente finalizada por um discípulo seu, Franz Süssmayr.Mozart acabou por ser enterrado numa vala comum de Viena.

Obra

Apresenta-se aqui uma súmula das peças que mais se destacaram do extenso rol de obras compostas por Mozart:
ÓperasLe Nozze di Figaro (As Bodas de Fígaro, 1786)Don Giovanni (1787)Cosi Fan Tutte (São todas assim, 1790)A Flauta Mágica (1791)
Obras orquestraisConcerto para piano n.º 21, K 467 (1785)Eine Kleine Nachtmusik, K 525 (1787)Sinfonia Concertante K 367Sinfonias n.º 29, 39, 40 e 41
Música vocalMissa n.º 16 (da Coroação), K 317 (1779)Réquiem, K 626 (1791), completado por Süssmayr
Música para pianoSonata n.º 5, K 521, para dois pianosSonata K 448, para dois pianos
Música de câmaraQuartetos de Cordas dedicados a Haydn:K 387 (1782)K 421 (1783)K 428 (1783)K 464 (1784)K 458 (1784) K 465 (1785)

Nota: Como a sua obra foi publicada sem número de Opus, Ludwig von Köechel fez, em 1862, um registo cronológico-temático, onde as obras têm números, ordenados cronologicamente, que se citam precedidos da letra K.

Curiosidades
Numa carta escrita por Mozart podem ler-se as seguintes palavras:"Como é que eu trabalho e como executo grandes composições musicais? Não posso na realidade dizer-lhe senão isto: quando me sinto bem-disposto, seja em carruagem quando viajo, seja de noite quando durmo, acodem-me as ideias aos jorros, soberbamente. Como e donde, não sei. As que me agradam, guardo-as como se me tivessem sido trazidas por outras pessoas, retenho-as bem na memória e, uma após outra, delas tomo a parte necessária para fazer um pastel segundo as regras do contraponto, da harmonia, dos instrumentos, etc. Então, quando estou em profundo sossego, sinto aquilo crescer, crescer para a claridade de tal forma, que a obra mesmo extensa se completa na minha cabeça e posso abrangê-la num só relance, como um belo retrato ou uma bela mulher, e isso não parte por parte, mas de uma só vez.
Achar aquilo e realizá-lo é um sonho soberbo que se desenvolve dentro de mim. Quando chego a esse ponto, nada mais esqueço, porque a memória é o melhor dom que Deus me deu." (...)
Sabe-se que certa vez, em Roma, Mozart foi assistir, com 14 anos, a uma peça religiosa - Miserere para coro duplo - de um compositor italiano chamado Gregório Allegri, que viveu entre 1500 e 1600. Essa peça, além de ser muito difícil e de conter uma intrincadíssima polifonia e coro duplo, não poderia ser reproduzida ou alterada. A ninguém era permitido segurar nas mãos a respectiva partitura, que para além de ser propriedade da Capela Sistina, era protegida sob ameaça de excomunhão. Após o concerto, tendo-o ouvido uma única vez, Mozart transcreveu-o de memória, e ao chegar a sua casa, reproduziu a música no papel com todas as notas e vozes, igual ao original.
Mozart gostava da esgrima, da dança, de montar cavalos e de animais de estimação. Tinha um canário, que na época era uma ave de estimação muito comum na Áustria, além de cães.
Ao longo da sua vida, Mozart fez a tradução sistemática dos seus nomes originais. O seu nome completo de baptismo foi atribuído em alemão, sendo Theophilus, um dos nomes do meio, uma homenagem a um familiar próximo. A tradução latina deste nome daria origem ao famoso "Amadeus" - "amigo de Deus". Outro exemplo é a tradução que ele fez de Amadeus Mozart para Amadé Mozartin, ao pretender conferir um toque de sonoridade francófona ao seu nome.Os dois nomes próprios que nunca utilizou foram dados pelos seus pais em memória do santo que apadrinha o dia do seu nascimento - São João Crisóstomo.
A Europa musical no tempo de Mozart
Na época de Mozart, a cidade que o viu nascer, Salzburgo, contava já com 16 000 habitantes, sendo uma cidade bastante importante em termos culturais. Era um principado eclesiástico, governado por um príncipe arcebispo que, durante a infância de Mozart, era Sigismund Christoph de Schrattenbach, personalidade que tanto contribuiu para o desenvolvimento musical de Mozart e para a vida desafogada de que a família desfrutava. Este governante apoiou muito o talento e o trabalho de Leopold Mozart, o pai, e mais tarde o do próprio Mozart.No século XVIII a literatura e as artes plásticas já tinham abandonado o estilo barroco. Por volta de 1735, o estilo dominante na Europa era ainda o rococó, último derivado do estilo barroco. Logo depois emergiria o pré-romantismo. As formas musicais do barroco não traduziam as novas ideias que então surgiam.Joseph Haydn (1732-1809) foi um dos maiores compositores do período clássico. Começou por tocar violino em pequenas bandas sem baixo-contínuo, onde nenhum dos músicos desempenhava o papel de solista-virtuose (o que valia era o conjunto). Essa independência das cordas em relação ao baixo-contínuo, assim como a importância dada ao conjunto instrumental, fez com que a música barroca chegasse ao fim.Haydn elaborou uma nova polifonia instrumental com a finalidade de dar coesão ao quarteto e à sinfonia, sem o apoio do baixo-contínuo. O princípio de construção foi a sonata-forma de Carl Philipp Emanuel Bach. Usando só os instrumentos, Haydn fala o idioma da música sacra italiana da época precedente, ou seja, os seus temas são cantáveis.É o começo da música moderna.A repercussão da sua obra foi grande. Na Áustria todos eram haydnianos, inclusive o jovem Mozart. A renovação da música instrumental por Haydn não atingiu o género da ópera, que seguia o modelo dos tempos de Scarlatti.Havia alguma vida nova apenas na opera buffa, que florescia em Veneza, então a capital europeia de diversões. Os "donos" da ópera, mais apreciados que os próprios compositores, eram os cantores, sobretudo os castrados como Farinelli e Crescentini.Johann Adolf Hasse (1699-1783) foi o mais popular compositor de óperas italianas, no estilo napolitano, do século XVIII. Discípulo de Alessandro Scarlatti, foi, também, cantor profissional de ópera (tenor) e um excelente cravista.Domenico Cimarosa (1749-1801) foi um dos pais da ópera cómica.Outros grandes nomes da época são Giuseppe Sarti (1729-1802), Baldassare Galuppi (1706-1783) e Giovanni Paësiello (1740-1816).O teatro foi, talvez, a maior preocupação artística do século XVIII. Possuir um teatro nacional foi a suprema ambição da Alemanha e da Itália (e a ópera não podia ficar esquecida).Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), embora influenciado por todas as correntes da sua época, não pertence a nenhuma delas. As suas obras instrumentais, no geral, são trabalhos de rotina ou trabalhos por encomenda. Embora riquíssimo em invenção melódica, a sua melodia nem sempre é pessoal. Isto porque no século XVIII, antes do pré-romantismo, não se exigia originalidade nem genialidade (conceitos românticos). Por isso, alguns poderão confundir Mozart com outros compositores da sua época, como J. C. Bach, de quem sofreu grande influência. Mozart escreveu seguindo o estilo do seu tempo. Ele próprio se considerava, antes de qualquer outra coisa, um compositor de ópera.

Portugal no tempo de Mozart
Em Portugal, na época de Mozart, reinava D. José I coadjuvado pelo seu secretário dos Negócios do Reino, Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido como Marquês de Pombal.Em 1758, ocorria a prisão dos Távoras, entretanto acusados de implicação no atentado contra D. José I (a 3 de Setembro de 1758) e que seriam executados a 13 de Janeiro de 1759 em Lisboa.Em Fevereiro de 1768, foi criada em Lisboa a Real Mesa Censória que retirava à Inquisição os poderes de exame prévio e de censura dos livros. Neste ano a população portuguesa estimava-se em 2 400 000 habitantes.A 6 de Novembro de 1772, o ensino primário oficial era organizado, com o ímpeto do Marquês de Pombal.A 29 de Novembro de 1776, a rainha Dona Mariana Vitória assumia a regência de Portugal por doença de D. José, que viria a falecer no dia 24 de Fevereiro de 1777, dando lugar a sua filha D. Maria.
A 24 de Dezembro de 1779 era fundada a Academia Real das Ciências de Lisboa.A cantora lírica Luísa Todi era aclamada nas grandes cidades europeias, nomeadamente em Viena de Áustria onde deu concertos durante o ano de 1782 e 1783. A artista deixaria Paris em 1789 após uma temporada triunfal.A 6 de Junho de 1784, Bocage era dado como desertor, e em 1789 Morais da Silva via publicada a 1.ª edição do seu Dicionário da Língua Portuguesa.Em 1790, por resolução régia, criavam-se as primeiras 18 escolas femininas em Lisboa.
A Europa política no tempo de Mozart
Em 1756, ano em que Mozart nasceu, e durante o reinado de Luís XV, rei de França, eclodiu a Guerra dos Sete Anos, travada entre 1756 e 1763, envolvendo a França, a Áustria e seus aliados (Rússia, Suécia e Espanha), de um lado, e a Inglaterra, a Prússia e Hannover, de outro. A Guerra dos Sete Anos foi o primeiro conflito a ter carácter global, e o seu resultado é muitas vezes apontado como o ponto fulcral que deu origem à inauguração da era moderna. Esta guerra foi precedida por uma reformulação do sistema de alianças entre as principais potências europeias, a chamada Revolução Diplomática de 1756, e caracterizou-se pelas sucessivas derrotas francesas na Alemanha (Rossbach), no Canadá ( perda de Quebec e Montreal) e na Índia.A França, com os dois Tratados de Versalhes (1756 e 1757), obtém a promessa de aliança de Maria Teresa da Áustria e de seu ministro Kaunitz. Maria Teresa também se aliou com Elizabeth da Rússia.A 14 de Julho de 1789 o povo parisiense toma a Bastilha, protagonizando assim o primeiro episódio da Revolução Francesa.

8º ANO: REALISMO: HISTÓRIA DE PORTUGAL

A Questão Coimbrã
 Lisboa, os agora licenciados reuniam-se no Casino Lisbonense
A grande polémica literária do séc. XIX foi, sem dúvida, a chamada “Questão Coimbrã”. No despoletar da polémica, surgem dois nomes ideológica e literariamente opostos: Antero de Quental e António Feliciano de Castilho. Tudo começou em 1865, quando o grande símbolo do Ultra-Romantismo português, António Feliciano de Castilho faz uma referência pouco elogiosa à nova literatura portuguesa (representada, entre outros, por Antero de Quental), no posfácio a um livro de Pinheiro Chagas. Antero de Quental responde à provocação numa famosa carta aberta – “Bom Senso e Bom Gosto” – onde utiliza um sarcasmo violento, que acaba por desencadear a escalada de folhetins e artigos que se iriam trocar entre as duas facções. Na altura, saíram para a rua mais de meia centena de peças literárias a debater a questão. A batalha literária chegou mesmo a “vias de facto”, com Antero de Quental e Ramalho Ortigão (defensor de Castilho) a chegar mesmo a bater-se em duelo, por uma referência ofensiva feita pelo primeiro à cegueira de Castilho. A polémica envolveu outras figuras marcantes, como Camilo Castelo Branco, Teófilo Braga, Pinheiro Chagas, Luciano Cordeiro, Brito Aranha e Teixeira de Vasconcelos, para além dos já referidos, e marcou o grande movimento de regeneração da cultura e da literatura portuguesas, abrindo portas, nomeadamente, às Conferências do Casino e ao realismo literário.
Fonte: Enciclopédia Universal, Texto Editora (Adaptado)

As Conferências do Casino
Também conhecidas por “conferências democráticas”, as Conferências do Casino reuniram os cultores do reformismo saído da “Questão Coimbrã”. Mais uma vez, surge, como figura de destaque, Antero de Quental que, com o seu discurso intitulado “Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos Últimos Três Séculos”, volta a criticar a mentalidade acrítica e estagnada que se fazia sentir em Portugal, no séc. XIX. As Conferências do Casino foram realizadas em 1871, em Lisboa, pelo Grupo Cultural do Cenáculo, constituído pela geração cultural de vanguarda liderada por Antero de Quental. Este grupo, continuador do espírito reformista da Questão Coimbrã, era influenciado pelas modernas ideias europeias (historicismo, papel das ciências políticas, evolucionismo, socialismo, arte realista, positivismo em geral), pretendendo tirar Portugal da estagnação e atraso em que, segundo os conferencistas, se encontrava. Realizaram-se cinco conferências, duas de Antero, uma de Augusto Soromenho, uma de Eça de Queirós e uma de Adolfo Coelho, após o que o governo proibiu a continuação do ciclo de conferências. Para além dos nomes referidos, faziam parte do grupo Teófilo Braga, Oliveira Martins e Manuel Arriaga, entre outros.

Fonte: Enciclopédia Universal, Texto Editora (Adaptado)

A Geração de 70
Antero de Quental não estava só no que respeita aos ideais que defendia. Fazia parte de um grupo de escritores e intelectuais que, nas últimas décadas do século XIX, se afirmou pelo seu desejo de intervenção e renovação da vida política, social e cultural portuguesa. Este grupo ficou conhecido pela designação de “Geração de 70” e juntava, além de Antero de Quental, nomes como o de Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, Joaquim Pedro de Oliveira Martins, Teófilo Braga e Guerra Junqueiro. Tendo vivido o período da regeneração, esta elite insurgiu-se contra os efeitos do romantismo na sociedade portuguesa e contra a ausência de um esforço de renovação ideológica e sociocultural que acompanhasse os progressos materiais de que o país ia beneficiando. Pretendendo aproximar Portugal da Europa dita civilizada, esta elite sofreu influências dos ideais políticos da revolução francesa e do liberalismo inglês, bem como de filósofos socialistas como Proudhon. Assim, a um Portugal visto como provinciano opunha-se uma Europa moderna e cosmopolita. Com a Questão Coimbrã, em 1865, teve início a intervenção pública do grupo, sendo Antero de Quental, sobretudo nesta primeira fase, o seu grande mentor. As Conferências do Casino foram o seguimento desta primeira polémica. O texto de Antero de Quental, Causas da Decadência dos Povos Peninsulares, constitui um marco importante no questionar do sentido e possibilidades de Portugal no mundo, um dos temas de discussão fundamentais da Geração de 70. Na área da literatura, a renovação manifestou-se com a introdução do realismo, de que Eça de Queirós foi o grande cultor. O ideal revolucionário deste grupo veio a esbater-se perante as impossibilidades práticas de intervenção no país e a consciência de que também a Europa se encontrava em crise. Este sentimento decadentista, próprio da cultura finissecular, conduziu muitos destes intelectuais ao cepticismo, a um diletantismo que levou os seus membros a formar o auto-denominado grupo dos Vencidos da Vida, conscientes do fracasso e da distância a que permaneciam dos seus ideais originais.

Fonte: Enciclopédia Universal, Texto Editora (Adaptado)

8º ANO: BIOGRAFIA-ALMEIDA GARRET: HISTÓRIA DE PORTUGAL:ROMANTISMO

Almeida Garrett

Uma viagem pela vida e obra de um dos mais marcantes protagonistas do Primeiro Romantismo em Portugal, acompanhada de excertos de algumas das suas obras e comentários de alguns dos mais ilustres representantes das nossas Letras.
João Baptista da Silva Leitão,

Almeida GarrettJoão Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett
Em 4 de Fevereiro de 1799, nasceu no Porto João Baptista da Silva Leitão, ainda não de Almeida Garrett. A sua infância, muito marcada pela vivência das quintas do Castelo e do Sardão e pelas histórias, contos e lendas da velha Brígida e de Rosa de Lima, alimentou desde logo o seu imaginário de futuro escritor romântico. Também o seu perfil político tem já o seu embrião nesta infância vivida na cidade do Porto: na feira de São Lázaro, João Baptista não compra “registos de santos”, como os outros rapazes, mas o retrato de Napoleão Bonaparte. Napoleão e as suas invasões de Portugal determinam a fuga da família de Garrett para os Açores, ilha Terceira, onde, jovem, vai ser educado, em estritos moldes clássicos, por seu tio, o bispo D. Frei Alexandre da Sagrada Família. A família destina-o à carreira eclesiástica, mas o jovem Garrett resiste e vai cumprir o seu percurso de estudante de leis em Coimbra. Em Coimbra, jovem e activo, estuda para se formar em leis, mas simultaneamente conspira em favor do liberalismo, escreve, publica, faz teatro. Começa a emergir como homem de letras e homem político, figura pública, que há de ser uma das mais importantes do nosso Romantismo e do nosso Liberalismo. O seu envolvimento político do lado liberal leva-o ao exílio, e a fazer parte daquele grupo de bravos que, comandados por D. Pedro, se juntam no exílio, se organizam na ilha Terceira, desembarcam no Mindelo, lutam no Porto, participam no esforço para implantar em Portugal uma monarquia constitucional, depois de um período conturbado de guerras civis. A sua obra literária vai também sendo produzida. Desde as suas produções juvenis, ainda em moldes clássicos determinados pela sua formação (Catão; Retrato de Vénus), passando pelo momento crucial da publicação, no exílio, de poemas já românticos (Camões; D. Branca), que vão ter sequência numa produção constante, quer em verso, quer em prosa; quer lírica, quer dramática, quer narrativa: Flores sem Fruto; Um Auto de Gil Vicente; O Alfageme de Santarém; O Arco de Sant’Ana, até às obras primas da maturidade: Frei Luís de Sousa; Viagens na Minha Terra; Folhas Caídas. Paralelamente empenha-se na revitalização do teatro português e na reforma da instrução pública.Afirma-se, é reconhecido, torna-se uma figura importante no panorama nacional: é deputado, embaixador, ministro e, finalmente, agraciado com o título de visconde, ao qual associa o nome de Garrett, obscuramente descoberto numa ascendência irlandesa: Visconde de Almeida Garrett.A vertente sentimental da sua vida não é menos interessante. Múltiplas e intensas paixões e desenganos tecem a vida de Garrett: Luísa Cândida Midosi, Adelaide Pastor, Rosa Montufar, são os mais conhecidos amores no seu percurso de homem romântico.Esta vida intensamente vivida esfuma-se aos 55 anos de idade, em 9 de Dezembro de 1854. Estávamos a meio do século XIX e, com esta primeira metade do século, encerrava-se a vida do 1.º Romantismo Português de que Garrett foi um dos grandes obreiros e mentores.

A Obra Literária
POESIA· O Retrato de Vénus, Coimbra, 1822· Camões, Paris, 1825· D. Branca, Paris, 1826· Adosinda, Londres, 1828· Lírica de João Mínimo, Londres, 1829· Romanceiro, 1.º vol., Lisboa, 1843· Flores sem Fruto, Lisboa, 1845· Romanceiro, 2.º vol., Lisboa, 1851· Folhas Caídas, Lisboa, 1853
OUTRAS OBRAS· Da Educação, Londres, 1829· Portugal na Balança da Europa, 1830· Discursos Parlamentares e Memórias Biográficas, Lisboa, 1871
FICÇÃO NARRATIVA· O Arco de Sant’Ana, 2 vols., Lisboa, 1845 e 1851· Viagens na Minha Terra, Lisboa, 1846
TEATRO· Um Auto de Gil Vicente (com a Mérope), Lisboa, 1841· O Alfageme de Santarém, Lisboa, 1842· Frei Luís de Sousa, Lisboa, 1844· Tio Simplício, Lisboa, 1844· Falar Verdade a Mentir, Lisboa, 1845· D. Filipa de Vilhena, Lisboa, 1846· A Sobrinha do Marquês, (com as Profecias do Bandarra e Um Noivado no Dafundo), Lisboa, 1848· Camões no Rossio, Lisboa, 1852

segunda-feira, 28 de abril de 2008

7º ANO: PALEOLÍTICO - ARTE RUPESTRE / ARTE MÓVEL

PALEOLÍTICO SUPERIOR: ARTE E RITOS MÁGICOS
A arte
Arte móvel“Vénus”
O Homo sapiens sapiens era um grande artista ao decorar os seus objectos e as paredes das suas
Arte parietal ou rupestre 


cavernas. Deixou-nos dois tipos de arte: a parietal ou rupestre e a móvel.
A arte parietal ou rupestre:
Consistia em pinturas e gravuras nas paredes das grutas, ou no exterior, em vastos conjuntos rochosos. Aqui encontramos figu­ras de animais desenhadas, pintadas ou gravadas: mamutes, bisontes, cabri­tos-monteses, cavalos e touros e cenas de caça. Os animais sur­gem, por vezes, atravessados por flechas, o que revela o carácter mágico das representações, por se pensar que favoreciam a caçada e a fecundi­dade dos animais, tão necessárias à sobrevivência do Homem. Aparecem também figuras humanas de forma esquemática ou simplesmente mãos e outros sinais. Tudo é representado com grande naturalismo. As cores utilizadas eram obtidas através da utilização de substâncias minerais (ocre e carvão) e vegetais, misturadas com gordura animal.
Encontramos importantes exemplos de arte parietal em França, nas grutas de Lascaux ; em Espanha, nas grutas de Altamira; em Por­tugal, em Vila Nova de Foz Côa.
Gravura rupestre - Penascosa -Vila Nova de Foz Coa


A arte móvel
Constituída por pequenas estatuetas esculpidas ou por objectos decorados com baixos-relevos, que se podiam transportar (daí ser chamada móvel). Os materiais utilizados eram a argila, o marfim, o osso, as hastes de animais e a pedra.As estatuetas femininas (mulheres de idade adulta), a que chamamos “Vénus”, atestam a existência de um culto da fecundidade.
Caracteriza os dois tipos de arte representados nas figuras:
Ídolo daEstremadura(CalcolíticoM.A.N.,Madrid).
Vénus de Willendorf (25.000 a 20.000. a.C) Áustria.
É a escultura mais antiga que se tem conhecimento.