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quinta-feira, 15 de maio de 2008

8º ANO: BIOGRAFIA-MARQUÊS DE POMBAL: HISTÓRIA DE PORTUGAL

Biografia
O homem que alterou o rumo de Portugal em direcção à evolução e ao modernismo.
Sebastião José de Carvalho e Melo
Marquês de Pombal
Sebastião José de Carvalho e Melo viu a luz do dia pela primeira vez no dia 13 de Maio de 1699. Nascido em Lisboa, Sebastião José foi o primeiro filho de Manuel de Carvalho e Ataíde e Teresa Luiza de Mendonça e Mello, fidalgos da província. Desta união nasceram mais onze filhos dos quais dois, além de Sebastião José, se evidenciaram - Paulo de Carvalho e Mendonça (1702-1770) e Francisco Xavier de Mendonça Furtado (1700-1779), fiéis colaboradores do irmão. Sabe-se que estudou Direito na Universidade de Coimbra e que, desistindo do curso superior, se alistou no exército, mas também por um curto período de tempo. Mudou-se para a cidade de Lisboa e era já na época um homem turbulento. Casou em 1723, contava 24 anos, com D. Teresa de Noronha e Bourbon Mendonça e Almada, dez anos mais velha que ele e sobrinha do conde de Arcos, em condições pouco ou nada ortodoxas (começando assim a fazer juz à fama posterior de homem duro e ambicioso, sem escrúpulos). O facto curioso é que rapta a noiva, com quem esteve casado até à morte daquela em 1737, porque a família dela – bastante poderosa - não o via como um bom partido e não o aceitava como genro.
E é devido a esta oposição constante dos pais que o já casal se vê na obrigação de rumar às propriedades que Sebastião e Melo possuía perto de Pombal. Este casamento permitiu-lhe alcançar a tão almejada integração no grupo da alta fidalguia. Mas deste casamento não resultou descendência alguma.
Em 1733, com 34 anos, Sebastião José de Carvalho e Melo, graças à influência de seu tio, o arcipreste Paulo de Carvalho, que o apresentou ao cardeal Mota, ministro e valido do rei D. João V, torna-se sócio da Real Academia da História, com a incumbência de escrever a história de alguns dos monarcas portugueses, tarefa que nunca cumpriu.
Será em Viena de Áustria, em Dezembro de 1745, que celebrará novo casamento, desta feita com a Condessa Maria Leonor Ernestina Daun, filha do Marechal Heinrich Richard, conde de Daun e figura de destaque na Guerra de Áustria. Este casamento foi abençoado pela Imperatriz Maria Teresa assim como pela Rainha Maria Ana de Áustria, mulher de D. João V, tendo desta forma Sebastião José assegurado o lugar de Secretário de Estado do Governo de Lisboa. Ao contrário do que sucedera com o anterior, deste casamento resultou descendência e Sebastião José foi pai de cinco filhos.
Depois de uma vida bastante longeva, preenchida e repleta de contradições, grandes feitos históricos alternados com práticas monstruosas, e de um sem-número de contributos para o país que o viu nascer, amado por uns e odiado por outros, faleceu na sua casa de Pombal, em Maio de 1782, com 83 anos de idade.

Percurso

A Carreira Política

Foi no ano de 1738 que Sebastião José deu início a uma carreira diplomática que se adivinhava fulgurante. Foi nomeado, a 2 de Outubro, como Ministro Plenipotenciário e Enviado Especial à Corte de Londres, a 8 de Outubro. A 29 de Novembro é-lhe concedida uma audiência pública que visava a consolidação da aliança luso-britânica. Sebastião José substitui o então embaixador Marco António de Azevedo Coutinho. O modo hábil como Sebastião de Carvalho dirigiu em Londres as negociações de que fora encarregado, atraiu a atenção do governo português sobre si, e, quando rebentou entre as cortes de Viena de Áustria e de Roma uma discórdia relativa aos direitos de nomina da cúria, tendo sido o governo português eleito para medianeiro, foi Sebastião José de Carvalho o convocado para dirigir as negociações da corte de Viena. A 17 de Julho de 1745, chega à corte de Viena de Áustria, após receber, a 14 de Setembro de 1744, instruções como Enviado Especial – Ministro Plenipotenciário.
Ao perfazer 50 anos de idade, em 1749, é convocado em Viena para integrar o novo governo de Lisboa, devido ao facto de o então rei, D. João V, ter adoecido gravemente e ao facto de não se dar bem com o clima mais agreste de Viena.
Em 1750, D. João V morre, deixando o trono a seu filho mais velho D. José I.
É neste ano que Sebastião José de Carvalho e Melo regressa de Viena para Lisboa, aproveitando para remodelar o seu palácio em Oeiras.
É também neste ano que é nomeado Secretário dos Negócios Estrangeiros. Poucos dias após o início do seu governo, um incêndio no hospital de Todos-os-Santos, a 10 de Agosto do 1750, vai ser o pretexto para mostrar a fibra de que é feito.
Pombal tinha em Richelieu o seu ideal reformador e tal como ele, desejava consolidar o poder régio com o fim do introduzir alterações profundas no regime do Estado, nem que para isso tivesse de lutar contra tudo e todos que se atravessassem na senda que percorria.
Governou com mão de ferro, impondo a lei a todas as classes, desde os mais pobres até à alta nobreza. Impressionado pelo sucesso económico inglês, tentou, com sucesso, implementar medidas que incutissem um sentido semelhante à economia portuguesa.
Toda a sua gestão foi um perfeito exemplo de despotismo esclarecido, forma de governo que combinava a monarquia absolutista com o racionalismo iluminista.
A 31 de Agosto de 1756 Sebastião José de Carvalho e Melo deixa a Secretaria dos Negócios Estrangeiros e da Guerra e passa a ocupar a do Reino, mais abrangente.
Em 6 de Junho de 1759, Sebastião José recebe o título de Conde de Oeiras, como forma de compensação, por parte de D. José I, pela sua grande intervenção contra os que participaram no atentado do próprio monarca.
Apenas em 1769, com 71 anos de idade, lhe foi outorgado o famoso título de Marquês de Pombal.
Em 1777, com a morte do rei D. José I, e o início do reinado de D. Maria I, termina o protagonismo de tantos anos do Marquês. A 4 de Março desse ano é decretada a sua demissão. Em 1779, devido a inúmeras queixas contra si, é-lhe instaurada uma acção judicial na qual é acusado de abuso de poder, corrupção e fraudes várias. O respectivo interrogatório terminará apenas no ano seguinte, em 1780.
Em 1781, todo o processo tem como desfecho o julgamento e a condenação de Marquês de Pombal ao desterro, pelo menos a vinte léguas da Corte. Pombal foi considerado culpado, ainda que o seu estado de saúde e avançada idade não permitissem a aplicação de pena alguma.
O Marquês de Pombal, quando faleceu, assinava-se: Sebastião José do Carvalho e Melo, conde de Oeiras e da Redinha; marquês de Pombal; do conselho do rei; alcaide-mor de Lamego; senhor donatário das vilas de Oeiras, Pombal e Carvalho, e do lugar de Cercosa e dos reguengos e direitos reais de Oeiras e de A-par de Oeiras; direitos do pescado do Porto, de Peniche e de Atouguia da Baleia; das rendas do pescado e direitos da dízima, portagem, jugadas, oitavos de pão e quinais de vinho da vila e porto de Cascais; e das tornas da sisa do pescado e sáveis de Lisboa; padroeiro in solidum da paróquia de Nossa Senhora das Mercês, da cidade de Lisboa, e das de Santa Maria da vila de Carvalho e sua anexa, Santa Maria de Cercosa, no bispado de Coimbra, e do convento de Nossa Senhora da Boa Viagem; comendador das ordens de Cristo e de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. O seu brasão era o dos Carvalho, no qual, em campo azul se vê uma estrela de ouro, entre uma quaderna de crescentes de prata.

As Reformas Implementadas

- Reformas na EconomiaO Primeiro-Ministro de D. José I procurou incrementar a produção nacional em relação à concorrência estrangeira, desenvolver o comércio colonial e incentivar o desenvolvimento das manufacturas. No âmbito dessa política, em 1756 criou a Companhia para a Agricultura das Vinhas do Alto Douro, à qual concedeu isenção de impostos nas exportações e no comércio com a colónia, estabelecendo assim a primeira zona de produção vinícola demarcada no mundo, colocando-se os célebres marcos pombalinos nas delimitações da região.
Em 1773, é a vez da criação da Companhia Geral das Reais Pescas do Reino do Algarve, destinada a controlar a pesca no sul de Portugal.
Ao mesmo tempo, Sebastião José criou estímulos fiscais para a instalação de pequenas manufacturas voltadas para o mercado interno português, do qual faziam parte também as colónias. Essa política proteccionista englobava medidas que favoreciam a importação de matérias-primas e encareciam os produtos importados similares aos de fabricação portuguesa. Como resultado, surgiram no reino centenas de pequenas manufacturas produtoras dos mais diversos bens.
O ministro fundou também o Banco Real em 1751 e estabeleceu uma nova estrutura para administrar a cobrança dos impostos, centralizada pela Real Fazenda de Lisboa, sob o seu controlo directo.
- Reformas religiosasA acção reformadora de Sebastião de Melo estendeu-se ainda ao âmbito da política e do Estado. Nesse campo, o Primeiro-Ministro empenhou-se no fortalecimento do absolutismo do rei e no combate a sectores e instituições que poderiam enfraquecê-lo. Diminuiu o poder da Igreja, subordinando o Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) ao Estado e, em 1759, expulsou os Jesuítas da metrópole e das colónias, confiscando os seus bens, sob a alegação de que a Companhia de Jesus agia como um poder autónomo dentro do Estado português.
Apesar de a Inquisição não ter sido oficialmente desmantelada, ela sofreu com o governo do Primeiro-Ministro um profundo abalo, com medidas que a enfraqueceriam:
em 5 de Outubro de 1768, o Marquês de Pombal obrigou por decreto os nobres portugueses anti-semitas (na altura chamados de "puritanos") que tivessem filhos em idade de casar, a organizar casamentos com famílias judaicas;
em 25 de Maio de 1773 fez promulgar uma lei que extinguia as diferenças entre cristãos-velhos (católicos sem suspeitas de antepassados judeus) e cristãos-novos, tornando inválidos todos os anteriores decretos e leis que discriminavam os cristãos-novos. Passou a ser proibido usar a palavra "cristão-novo", quer por escrito quer oralmente. As penas eram pesadas: para o povo - chicoteamento em praça pública e exílio em Angola; para os nobres - perda de títulos, cargos, pensões ou condecorações; para o clero - expulsão de Portugal;
em 1 de Outubro de 1774, publicou um decreto que fazia os veredictos do Santo Ofício dependerem de sanção real, o que praticamente anulava a Inquisição portuguesa. Deixariam de se organizar em Portugal os autos-de-fé.
- Reformas na EducaçãoUma das grandes glórias do Marquês de Pombal foi o imenso impulso que deu à instrução popular. A lei de 6 de Novembro de 1772 organizava a instrução primária do modo mais completo para o seu tempo. Estabelecia o princípio de concurso, animava o ensino particular, dotava as escolas com o rendimento de um novo tributo denominado subsídio literário. Favorecia a instrução secundária criando escolas, que eram o germe dos liceus actuais, e convidando as ordens religiosas a abrirem aulas nos seus conventos. Favoreceu a instrução superior ao criar o Colégio dos Nobres. Criou estabelecimentos auxiliares, de que anteriormente nem sequer fora reconhecida a necessidade, como um observatório astronómico, um museu de História Natural, um gabinete de Física, um laboratório químico, um teatro anatómico, um dispensário farmacêutico e um jardim botânico. A fundação da Imprensa Nacional de Lisboa completou a obra do Marquês de Pombal em relação ao desenvolvimento intelectual do País. Esta reforma da instrução pública, a mais importante que ocorreu, valeu ao ministro a admiração e o respeito da Europa. O encarregado de negócios de França, em Lisboa, não ocultava a sua veneração pelo homem que fizera com que houvesse num tão pequeno reino, mergulhado até então nas trevas, 837 escolas de instrução primária e secundária. O sistema de ensino do reino e das colónias - que até essa época se encontrava sob a responsabilidade da Igreja -, passou-o ao controlo do Estado. A Universidade de Évora, por exemplo, pertencente aos Jesuítas, foi extinta, e a Universidade de Coimbra sofreu uma profunda reforma, sendo totalmente modernizada.
A "reforma universitária" incluía também a proibição de alunos ou professores com ascendência judaica nos quadros do estabelecimento de ensino.

O Terramoto de 1755
Gravura em cobre de 1755
mostrando Lisboa em chamas e o tsunami varrendo o porto.

A sua ascensão a Primeiro-Ministro do rei já ocorrera quando, pelas 9:45 do dia 1 de Novembro de 1755, feriado católico de Todos-os-Santos, sucede, para grande espanto de toda uma população, algo que simbolizaria a destruição de uma cidade velha e o ressurgimento de uma cidade nova em folha: um terramoto de proporções dantescas, causador de fissuras gigantescas de cinco metros que cortaram o centro da cidade de Lisboa. Com os vários desmoronamentos os sobreviventes procuraram refúgio na zona portuária e assistiram ao abaixamento das águas, revelando o fundo do mar, cheio de destroços de navios e cargas perdidas. Dezenas de minutos depois um enorme maremoto de 20 metros faria submergir o porto e o centro da cidade. Nas áreas que não foram afectadas pelo maremoto, o fogo logo se alastrou, e os incêndios duraram pelo menos cinco dias.
Lisboa não foi a única cidade portuguesa afectada pela catástrofe. Todo o sul de Portugal, nomeadamente o Algarve, foi atingido e a destruição foi generalizada. As ondas de choque do terramoto foram sentidas por toda a Europa e norte da África. Os maremotos originados por este terramoto varreram desde a África do norte até ao norte da Europa, nomeadamente até à Finlândia, e através do Atlântico afectaram locais como Martinica e Barbados.
Dos 275 mil habitantes de Lisboa, 90 mil desapareceram. Outras 10 mil pessoas foram vitimadas em Marrocos. Cerca de 85% das construções de Lisboa foram destruídas, incluindo palácios famosos, bibliotecas, igrejas e hospitais. As várias construções que sofreram pouco danos pelo terramoto foram destruídas pelo fogo que se seguiu ao abalo sísmico.
Quase por milagre, a família real escapou ilesa à catástrofe. O rei D. José I e a corte tinham deixado a cidade depois de assistir a uma missa ao amanhecer, encontrando-se em Santa Maria de Belém na altura do terramoto. A ausência do rei na capital deveu-se à vontade das princesas de passar o feriado fora da cidade.
Tal como o rei, o Marquês de Pombal sobreviveu ao terramoto. E quem melhor do que o grande reformador Sebastião José de Carvalho e Melo para fazer renascer das cinzas uma cidade inteira? Foi o que aconteceu, e todo o génio do antigo diplomata é posto à prova neste acontecimento com consequências em e para todo o país. A sua rápida resolução levou-o a organizar equipas de bombeiros para combater os incêndios e recolher os milhares de cadáveres a fim de evitar epidemias.
O ministro e o rei contrataram arquitectos e engenheiros e, em menos de um ano depois do terramoto, já não se encontravam ruínas em Lisboa e os trabalhos de reconstrução iam adiantados. A capacidade de reconstrução e a visão de futuro que Pombal aplicou nessa reconstrução transformaram Lisboa numa cidade moderna. O rei desejava uma cidade nova e ordenada e grandes praças e avenidas largas e rectilíneas marcaram a planta da nova cidade. Na altura alguém perguntou ao Marquês de Pombal para que serviam ruas tão largas, ao que este respondeu que um dia elas serão pequenas...
Após o início da reconstrução urbana, Sebastião José vê ampliados os seus poderes pelo monarca.
E, facto curioso, note-se que os primeiros edifícios mundiais a serem construídos com protecções anti-sismo, testados recorrendo a modelos de madeira (cuja reacção à vibração era observada à medida que as tropas marchavam ao seu redor), devem-se ao Marquês de Pombal.
Foi deste modo que a figura de Sebastião José começou a ter impacto não apenas no seu país mas também em outros países europeus.
O Processo dos Távoras

D. José I, casado com Mariana Vitoria de Borbón, princesa espanhola, tinha quatro filhas. Apesar de ter uma vida familiar alegre, (o rei adorava as filhas e apreciava brincar com elas e levá-las em passeio), D. José I tinha uma amante: Teresa Leonor, mulher de Luís Bernardo, herdeiro da família de Távora.
O seu Primeiro-Ministro era um homem severo, filho de um fidalgo de província, com algum rancor para com a velha nobreza, que o desprezava. Assim, as desavenças entre Pombal e os nobres eram frequentes mas toleradas pelo rei, que confiava em Sebastião de Melo devido à sua liderança competente após o terramoto.
Em Setembro de 1758, dá-se o atentado contra a vida de D. José I, quando este regressava numa carruagem ao Palácio. Sebastião de Melo, prevenido imediatamente, intuiu que tinha ali o ensejo favorável para desferir um grande golpe na nobreza e talvez também nos Jesuítas. Tomou o controlo imediato da situação e mantendo em segredo o ataque e os ferimentos do rei, efectuou um julgamento rápido. Poucos dias depois, dois homens foram presos e torturados. Os homens confessaram a culpa e que tinham tido ordens da família Távora, que estava conspirando para colocar o duque de Aveiro, José Mascarenhas, no trono, já que o rei não tinha descendência masculina. Ambos foram enforcados no dia seguinte, mesmo antes da tentativa de regicídio ter sido tornada pública. Nas semanas que se seguiram, a marquesa Leonor de Távora, o seu marido, o conde de Alvor, todos os seus filhos, filhas e netos foram encarcerados. Os conspiradores, o duque de Aveiro e os genros dos Távoras, o marquês de Alorna e o conde de Atouguia foram presos com as suas famílias. Gabriel Malagrida, o jesuíta confessor de Leonor de Távora foi igualmente preso.
Foram todos acusados de alta traição e de regicídio.
A sentença ordenou a execução de todos eles, incluindo mulheres e crianças. Apenas as intervenções da Rainha Mariana e de Maria Francisca, a herdeira do trono, salvaram a maioria deles. A marquesa, porém, não seria poupada. Ela e outros acusados que tinham sido sentenciados à morte foram torturados e executados publicamente em 13 de Janeiro de 1759 num descampado perto de Lisboa. O rei esteve presente, juntamente com a sua corte, absolutamente desnorteada. Os Távoras eram seus semelhantes, mas o rei quis que a lição fosse aprendida. A família Alorna e as filhas do Duque de Aveiro foram condenadas a prisão perpétua em mosteiros e conventos.
Alguns dias depois a Ordem dos Jesuítas seria declarada ilegal. Todas as suas propriedades foram confiscadas e os Jesuítas expulsos do território português, na Europa e no Ultramar. Desde o princípio do seu governo que o Marquês de Pombal travava com eles uma luta implacável. Os Jesuítas eram a sua grande preocupação, por serem um obstáculo invencível a todos os seus projectos de reforma e de regeneração social. Dominavam em toda a parte, reinavam nas consciências pelo confessionário, nos espíritos pela educação, e na perspectiva de Pombal a educação do povo dirigida por eles era a mais funesta possível, sinónimo de imobilidade perpétua, de condenação à eterna futilidade e à eterna insignificância. Em todos os países se sentia esta funesta influência jesuítica, mas em Portugal era mais terrível ainda por causa das colónias, dominadas completamente pelos Jesuítas, principalmente as americanas. Por tal, em todos os actos hostis dirigidos ao governo queria o Marquês ver sempre a mão dos jesuítas.
Depois de muitos entraves, conseguiu finalmente que fossem expulsos de Portugal por decreto de 3 de Setembro de 1759, enviando logo para Itália pelo brigue S. Nicolau um carrego de jesuítas.

O Marquês de Pombal no Brasil

Existe uma grande dissonância entre a percepção popular do marquês entre os portugueses (que o vêem como herói nacional) e entre os brasileiros (que o vêem como tirano e opressor).
Na visão do governo português, a administração da colónia devia ter sempre como meta a geração de riquezas para o reino. Esse princípio não mudou sob a administração do marquês. O regime de monopólio comercial, por exemplo, não só se manteve, como foi acentuado para se obter maior eficiência na administração colonial.
Em 1755 e 1759, foram criadas, respectivamente, a Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão e a Companhia Geral de Comércio de Pernambuco e Paraíba, empresas monopolistas destinadas a dinamizar as actividades económicas no norte e nordeste da colónia. Na região mineira, instituiu a derrama em 1765, com a finalidade de obrigar os mineradores a pagarem os impostos atrasados. A derrama era uma taxa per capita, em quilos de ouro, que a colónia era obrigada a enviar para a metrópole, independentemente da real produção de ouro.
As maiores alterações, porém, ocorreram na esfera político-administrativa e na educação. Em 1759, o regime de capitanias hereditárias foi definitivamente extinto, com a sua incorporação nos domínios da Coroa portuguesa. Quatro anos depois, em 1763, a sede do governo-geral da colónia foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro, cujo crescimento sinalizava o deslocamento do eixo económico do nordeste para a região Centro-Sul.
Com a expulsão violenta dos Jesuítas do império português, o marquês determinou que a educação na colónia passasse a ser transmitida por leigos nas chamadas Aulas Régias. Até então, o ensino formal estivera a cargo da Igreja. O marquês regulamentou ainda o funcionamento das missões, afastando os padres da sua administração e criou, em 1757, o Directório, órgão composto por homens de confiança do governo português, cuja função era gerir os antigos aldeamentos.
Complementando esse "pacote" de medidas, o marquês procurou dar maior uniformidade cultural à colónia, proibindo a utilização do Nheengatu, a língua geral (uma mistura das línguas nativas com o português, falada pelos bandeirantes) e tornando obrigatório o uso do idioma português.
Ainda hoje se encontra uma estátua de mármore em tamanho natural do Marquês de Pombal na Santa Casa de Misericórdia da Bahia localizada no centro histórico de Salvador.

Bibliografia

8º ANO: BIOGRAFIA-MOZART: MÚSICA

MozartEste dossier temático aborda a vida curiosa e a obra singular de Mozart, um dos maiores compositores de música clássica de sempre, que nasceu e viveu numa época em que a música grassava como sinal de cultura e o interesse músico-cultural se intensificava e desenvolvia a passos largos...
Barbara Kraft: Retrato póstumo de Mozart, 1819.

Breve biografia

Nascido às 20 horas do dia 27 de Janeiro de 1756 em Hagenauerhaus, n.º 9 de Getreidegasse, na Áustria, Amadeus Mozart, de seu nome completo Johannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart, foi um génio musical descoberto precocemente.
Filho de Leopold Mozart e de Anna Maria Mozart, tinha também uma irmã, a quem foi dado o nome de Maria Anna Mozart (Nanerl, para a família e amigos mais próximos).O pai, um violinista que tocava na corte do príncipe arcebispo de Salzburgo, foi desde cedo um acérrimo defensor da presença da música na vida dos filhos, ensinando-os a tocar cravo e estimulando-lhes o gosto e hábitos musicais assim que se apercebeu do talento de ambos para a música.Em 1761, com 5 anos apenas, Mozart dava início àquele que seria durante muitos anos o seu modo de vida: apresentações públicas e múltiplas viagens. Estima-se que Mozart tenha totalizado cerca de 3720 dias de viagens, o que representou um terço da sua curta vida.
A sua estreia ocorreu no dia 1 de Setembro de 1761 em Salzburgo, no teatro escolar latino Sigismundus Hungariae Rex, num espectáculo em que participou como cantor.No dia 12 de Janeiro de 1762 o pai decidiu embarcar com os dois talentosos filhos numa viagem com destino a Munique, na Alemanha. Esta durou três semanas e resultou na apresentação dos dois irmãos ao princípe Maximiliano III de Baviera. Foi a primeira apresentação artística de ambos.No Outono desse ano, a família Mozart deslocou-se até Viena onde, no dia 13 de Outubro Mozart teve a sua primeira audição perante a Imperatriz Maria Teresa.Mas seria no ano de 1763 aquando do aniversário do príncipe arcebispo (que nomeara o seu pai como vice-maestro de capela) que Mozart faria a sua apresentação oficial como músico.No Verão desse ano, Leopold partiu novamente com a sua família numa viagem que os levaria até França e onde chegaram a 18 de Novembro de 1763. Durante a estadia em Paris foram imprimidas as primeiras obras de Mozart: as sonatas para piano K 6 e K 7 para Madame Victoire de França e as sonatas K.8 e K.9 para a Condessa Adrienne-Catherine de Tessé. Estas obras valeram-lhe o aplauso, o assombro e o encantamento de todos quanto as ouviram.A 23 de Abril de 1764, a família Mozart chegou a Londres onde as duas crianças deram vários espectáculos na corte do rei George III e da sua esposa, Sophie Charlotte, a quem Mozart dedicou as suas seis sonatas para piano e violino K.10 a K.15.Em Londres, Mozart conheceu Johann Christian Bach, último filho de Johann Sebastian Bach, que exerceu grande influência nas suas primeiras obras.Depois de algum tempo em Londres, tendo a família decidido partir em direcção ao seu país natal, eis que um pedido insistente do embaixador holandês os fez mudar de rumo em direcção à Holanda. Depois de vários espectáculos pela Holanda, Suíça e Alemanha, a família Mozart regressa finalmente a Salzburgo, a 29 de Novembro de 1766, após uma ausência de quase três anos e meio. Mas, no ano de regresso, alastrava em Salzburgo uma epidemia de varíola. Numa tentativa de fuga à epidemia, a família muda-se para Viena. Mas apesar dos esforços, as duas crianças acabaram por contrair a doença.No final de Janeiro de 1768, Mozart obtém um aval para começar a desenvolver uma opera buffa, seguindo uma sugestão do Imperador José II. Em Abril de 1768 começa a compor La Finta Semplice (K.51), que termina em Julho desse mesmo ano. Entretanto, a opereta Bastien und Bastienne (K.50), outra aclamada obra de Mozart, foi apresentada ao Dr. Anton Mesmer em Setembro de 1768. Em Dezembro desse ano, a família Mozart partiu de Viena e regressou a Salzburgo em Janeiro de 1769. Depois de muitos obstáculos, foi apenas em Maio de 1769 que conseguiram a apresentação de La Finta Semplice (K.51).Em Dezembro de 1769, a família realizou a tão esperada viagem a Itália. Entre 1770 e 1773 Mozart visitou a Itália por três vezes. Lá, compôs a ópera Mitridate, que foi um grande êxito. Depois de uma série de apresentações, a 17 de Outubro de 1771, o libreto Ascanio in Alba foi apresentado na celebração do matrimónio entre o Arquiduque Ferdinando da Áustria e a Princesa Maria Beatrice Ricciarda d'Este de Modena. No dia 30 de Novembro de 1771, os Mozarts foram recebidos pelo próprio Arquiduque.Mas em 1772 a eleição do conde Hieronymus Colloredo como arcebispo de Salzburgo mudaria os hábitos de viajante de Mozart. Colloredo não via com bons olhos que um de seus músicos, considerado por ele um mero serviçal, passasse tanto tempo em viagens fora da corte. Por isso, a maior parte dessa década foi passada em Salzburgo, onde Mozart cumpriu os seus deveres de mestre de concerto (Konzertmeister), compondo missas, sonatas de igreja, serenatas e outras obras. Mas o ambiente de Salzburgo, cada vez mais sem perspectivas, levava a uma constante insatisfação do artista com a sua situação.Em 1777, Mozart quis tentar a sua sorte em outras paragens e decidiu partir, acompanhado por sua mãe, para Paris, cidade onde esta acabaria por falecer em Julho de 1778. Com o desaparecimento da mãe, Mozart deixou Paris, dirigindo-se então para Munique.Em 1781, Hieronymus Colloredo ordenou a Mozart que se juntasse a ele e à sua comitiva em Viena. Mas, insatisfeito por ser colocado entre os criados, ele pediu a demissão. A partir daí passou a viver da renda obtida com concertos, a publicação das suas obras e aulas particulares. Inicialmente teve sucesso, e o período entre 1781 e 1786 foi um dos mais prolíficos da sua carreira. Um período durante o qual compôs óperas (Idomeneo - 1781; O Rapto do Serralho - 1782), sonatas para piano, música de câmara (especialmente os seis quartetos de cordas dedicados a Haydn) e, principalmente, uma deslumbrante sequência de concertos para piano. A 24 de Dezembro de 1781 Mozart competiu com Muzio Clementi num concurso de pianoforte perante o imperador José II. A 16 de Julho de 1782 realizou-se a primeira apresentação pública de O Rapto do Serralho ( Die Entführung aus dem Serail - K.384), no Burgtheater. Este foi o trabalho de Mozart que mais sucesso obteve fora de Viena.A 4 de Agosto de 1782 Mozart casou com Constanze Weber, contra a vontade do pai dele. Tiveram vários filhos, mas apenas dois sobreviveram.Em 1786, compôs a sua primeira ópera em colaboração com o libretista Lorenzo da Ponte - As Bodas de Fígaro (Le nozze di Figaro - K.492) -, que estreou no Burgtheater no dia 1 de Maio de 1786. A ópera fracassou em Viena, mas fez um sucesso tão grande em Praga que Mozart recebeu a encomenda de uma nova ópera. Durante esse ano As Bodas de Fígaro foram representadas nove vezes.A partir de 1786 a sua popularidade começou a diminuir junto do público vienense e logo os problemas financeiros começaram a aparecer. No entanto, isso não o impediu de continuar a compôr obras-primas como quintetos de cordas (K.515 em Dó maior, K.516 em Sol menor em 1787), sinfonias (K.543 em Mi bemol maior, K.550 em Sol menor, K.551 em Dó maior em 1788) e um divertimento para trio de cordas (K.563 em 1788). No entanto, nos últimos anos de vida, a sua produção declinou devido a problemas financeiros e à saúde precária dele e de sua esposa, Constanze.A 7 de Abril de 1787, Ludwig van Beethoven, de 16 anos, chegou a Viena vindo de Bona a fim de ter aulas com Mozart. Mas ficou naquela cidade apenas duas semanas. A 28 de Maio o pai de Mozart morre em Salzburgo.A 29 de Outubro de 1787 Mozart conduziu as primeiras representações de Don Giovanni, no National Theater em Praga e, em 1 de Dezembro desse mesmo ano, José II nomeou Mozart como compositor oficial de Câmara (Kammermusicus) auferindo um salário de 800 florins por ano.A 26 de Janeiro de 1790, a ópera Così fan tutte (K.588) foi apresentada pela primeira vez no Burgtheater.Em 1791, Mozart compôs as suas duas últimas óperas: A Clemência de Tito e A Flauta Mágica -, o seu último concerto para piano (K.595 em si bemol maior) e o belo concerto para clarinete em lá maior (K.622). Na Primavera desse ano, recebeu a encomenda de um requiem (K.626). Com a saúde cada vez mais debilitada, Mozart conseguiu ainda, a 18 de Novembro de 1791, reger a cantata Laut. verkunde unsre Freude (K.623) que dedicou ao novo templo da casa maçónica. No dia 20 de Novembro de 1791, Mozart ficou acamado, tendo falecido 15 dias depois, na madrugada de 5 de Dezembro. Mozart deixou a obra em que trabalhava inacabada (há uma lenda que diz que o requiem em questão se destinava à sua própria missa de sétimo dia) tendo aquela sido posteriormente finalizada por um discípulo seu, Franz Süssmayr.Mozart acabou por ser enterrado numa vala comum de Viena.

Obra

Apresenta-se aqui uma súmula das peças que mais se destacaram do extenso rol de obras compostas por Mozart:
ÓperasLe Nozze di Figaro (As Bodas de Fígaro, 1786)Don Giovanni (1787)Cosi Fan Tutte (São todas assim, 1790)A Flauta Mágica (1791)
Obras orquestraisConcerto para piano n.º 21, K 467 (1785)Eine Kleine Nachtmusik, K 525 (1787)Sinfonia Concertante K 367Sinfonias n.º 29, 39, 40 e 41
Música vocalMissa n.º 16 (da Coroação), K 317 (1779)Réquiem, K 626 (1791), completado por Süssmayr
Música para pianoSonata n.º 5, K 521, para dois pianosSonata K 448, para dois pianos
Música de câmaraQuartetos de Cordas dedicados a Haydn:K 387 (1782)K 421 (1783)K 428 (1783)K 464 (1784)K 458 (1784) K 465 (1785)

Nota: Como a sua obra foi publicada sem número de Opus, Ludwig von Köechel fez, em 1862, um registo cronológico-temático, onde as obras têm números, ordenados cronologicamente, que se citam precedidos da letra K.

Curiosidades
Numa carta escrita por Mozart podem ler-se as seguintes palavras:"Como é que eu trabalho e como executo grandes composições musicais? Não posso na realidade dizer-lhe senão isto: quando me sinto bem-disposto, seja em carruagem quando viajo, seja de noite quando durmo, acodem-me as ideias aos jorros, soberbamente. Como e donde, não sei. As que me agradam, guardo-as como se me tivessem sido trazidas por outras pessoas, retenho-as bem na memória e, uma após outra, delas tomo a parte necessária para fazer um pastel segundo as regras do contraponto, da harmonia, dos instrumentos, etc. Então, quando estou em profundo sossego, sinto aquilo crescer, crescer para a claridade de tal forma, que a obra mesmo extensa se completa na minha cabeça e posso abrangê-la num só relance, como um belo retrato ou uma bela mulher, e isso não parte por parte, mas de uma só vez.
Achar aquilo e realizá-lo é um sonho soberbo que se desenvolve dentro de mim. Quando chego a esse ponto, nada mais esqueço, porque a memória é o melhor dom que Deus me deu." (...)
Sabe-se que certa vez, em Roma, Mozart foi assistir, com 14 anos, a uma peça religiosa - Miserere para coro duplo - de um compositor italiano chamado Gregório Allegri, que viveu entre 1500 e 1600. Essa peça, além de ser muito difícil e de conter uma intrincadíssima polifonia e coro duplo, não poderia ser reproduzida ou alterada. A ninguém era permitido segurar nas mãos a respectiva partitura, que para além de ser propriedade da Capela Sistina, era protegida sob ameaça de excomunhão. Após o concerto, tendo-o ouvido uma única vez, Mozart transcreveu-o de memória, e ao chegar a sua casa, reproduziu a música no papel com todas as notas e vozes, igual ao original.
Mozart gostava da esgrima, da dança, de montar cavalos e de animais de estimação. Tinha um canário, que na época era uma ave de estimação muito comum na Áustria, além de cães.
Ao longo da sua vida, Mozart fez a tradução sistemática dos seus nomes originais. O seu nome completo de baptismo foi atribuído em alemão, sendo Theophilus, um dos nomes do meio, uma homenagem a um familiar próximo. A tradução latina deste nome daria origem ao famoso "Amadeus" - "amigo de Deus". Outro exemplo é a tradução que ele fez de Amadeus Mozart para Amadé Mozartin, ao pretender conferir um toque de sonoridade francófona ao seu nome.Os dois nomes próprios que nunca utilizou foram dados pelos seus pais em memória do santo que apadrinha o dia do seu nascimento - São João Crisóstomo.
A Europa musical no tempo de Mozart
Na época de Mozart, a cidade que o viu nascer, Salzburgo, contava já com 16 000 habitantes, sendo uma cidade bastante importante em termos culturais. Era um principado eclesiástico, governado por um príncipe arcebispo que, durante a infância de Mozart, era Sigismund Christoph de Schrattenbach, personalidade que tanto contribuiu para o desenvolvimento musical de Mozart e para a vida desafogada de que a família desfrutava. Este governante apoiou muito o talento e o trabalho de Leopold Mozart, o pai, e mais tarde o do próprio Mozart.No século XVIII a literatura e as artes plásticas já tinham abandonado o estilo barroco. Por volta de 1735, o estilo dominante na Europa era ainda o rococó, último derivado do estilo barroco. Logo depois emergiria o pré-romantismo. As formas musicais do barroco não traduziam as novas ideias que então surgiam.Joseph Haydn (1732-1809) foi um dos maiores compositores do período clássico. Começou por tocar violino em pequenas bandas sem baixo-contínuo, onde nenhum dos músicos desempenhava o papel de solista-virtuose (o que valia era o conjunto). Essa independência das cordas em relação ao baixo-contínuo, assim como a importância dada ao conjunto instrumental, fez com que a música barroca chegasse ao fim.Haydn elaborou uma nova polifonia instrumental com a finalidade de dar coesão ao quarteto e à sinfonia, sem o apoio do baixo-contínuo. O princípio de construção foi a sonata-forma de Carl Philipp Emanuel Bach. Usando só os instrumentos, Haydn fala o idioma da música sacra italiana da época precedente, ou seja, os seus temas são cantáveis.É o começo da música moderna.A repercussão da sua obra foi grande. Na Áustria todos eram haydnianos, inclusive o jovem Mozart. A renovação da música instrumental por Haydn não atingiu o género da ópera, que seguia o modelo dos tempos de Scarlatti.Havia alguma vida nova apenas na opera buffa, que florescia em Veneza, então a capital europeia de diversões. Os "donos" da ópera, mais apreciados que os próprios compositores, eram os cantores, sobretudo os castrados como Farinelli e Crescentini.Johann Adolf Hasse (1699-1783) foi o mais popular compositor de óperas italianas, no estilo napolitano, do século XVIII. Discípulo de Alessandro Scarlatti, foi, também, cantor profissional de ópera (tenor) e um excelente cravista.Domenico Cimarosa (1749-1801) foi um dos pais da ópera cómica.Outros grandes nomes da época são Giuseppe Sarti (1729-1802), Baldassare Galuppi (1706-1783) e Giovanni Paësiello (1740-1816).O teatro foi, talvez, a maior preocupação artística do século XVIII. Possuir um teatro nacional foi a suprema ambição da Alemanha e da Itália (e a ópera não podia ficar esquecida).Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), embora influenciado por todas as correntes da sua época, não pertence a nenhuma delas. As suas obras instrumentais, no geral, são trabalhos de rotina ou trabalhos por encomenda. Embora riquíssimo em invenção melódica, a sua melodia nem sempre é pessoal. Isto porque no século XVIII, antes do pré-romantismo, não se exigia originalidade nem genialidade (conceitos românticos). Por isso, alguns poderão confundir Mozart com outros compositores da sua época, como J. C. Bach, de quem sofreu grande influência. Mozart escreveu seguindo o estilo do seu tempo. Ele próprio se considerava, antes de qualquer outra coisa, um compositor de ópera.

Portugal no tempo de Mozart
Em Portugal, na época de Mozart, reinava D. José I coadjuvado pelo seu secretário dos Negócios do Reino, Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido como Marquês de Pombal.Em 1758, ocorria a prisão dos Távoras, entretanto acusados de implicação no atentado contra D. José I (a 3 de Setembro de 1758) e que seriam executados a 13 de Janeiro de 1759 em Lisboa.Em Fevereiro de 1768, foi criada em Lisboa a Real Mesa Censória que retirava à Inquisição os poderes de exame prévio e de censura dos livros. Neste ano a população portuguesa estimava-se em 2 400 000 habitantes.A 6 de Novembro de 1772, o ensino primário oficial era organizado, com o ímpeto do Marquês de Pombal.A 29 de Novembro de 1776, a rainha Dona Mariana Vitória assumia a regência de Portugal por doença de D. José, que viria a falecer no dia 24 de Fevereiro de 1777, dando lugar a sua filha D. Maria.
A 24 de Dezembro de 1779 era fundada a Academia Real das Ciências de Lisboa.A cantora lírica Luísa Todi era aclamada nas grandes cidades europeias, nomeadamente em Viena de Áustria onde deu concertos durante o ano de 1782 e 1783. A artista deixaria Paris em 1789 após uma temporada triunfal.A 6 de Junho de 1784, Bocage era dado como desertor, e em 1789 Morais da Silva via publicada a 1.ª edição do seu Dicionário da Língua Portuguesa.Em 1790, por resolução régia, criavam-se as primeiras 18 escolas femininas em Lisboa.
A Europa política no tempo de Mozart
Em 1756, ano em que Mozart nasceu, e durante o reinado de Luís XV, rei de França, eclodiu a Guerra dos Sete Anos, travada entre 1756 e 1763, envolvendo a França, a Áustria e seus aliados (Rússia, Suécia e Espanha), de um lado, e a Inglaterra, a Prússia e Hannover, de outro. A Guerra dos Sete Anos foi o primeiro conflito a ter carácter global, e o seu resultado é muitas vezes apontado como o ponto fulcral que deu origem à inauguração da era moderna. Esta guerra foi precedida por uma reformulação do sistema de alianças entre as principais potências europeias, a chamada Revolução Diplomática de 1756, e caracterizou-se pelas sucessivas derrotas francesas na Alemanha (Rossbach), no Canadá ( perda de Quebec e Montreal) e na Índia.A França, com os dois Tratados de Versalhes (1756 e 1757), obtém a promessa de aliança de Maria Teresa da Áustria e de seu ministro Kaunitz. Maria Teresa também se aliou com Elizabeth da Rússia.A 14 de Julho de 1789 o povo parisiense toma a Bastilha, protagonizando assim o primeiro episódio da Revolução Francesa.

sábado, 10 de maio de 2008

8º ANO: BIOGRAFIA-PEDRO NUNES: HISTÓRIA DE PORTUGAL

Biografia de Pedro Nunes
Pedro Nunes ficará na História de Portugal como uma das figuras mais representativas das Matemáticas em Portugal e como inventor do nónio, um instrumento empregado em aparelhos de Astronomia, Física e Engenharia que se destina a avaliar grandezas lineares ou angulares que escapam à visão directa. O grande matemático português nasceu em Alcácer do Sal, antiga Salácia, no ano de 1502 e faleceu em Coimbra no dia 11 de Agosto de 1578.Devido ao pouco rigor documental da época e, principalmente, ao facto de existirem muitos homónimos de Pedro Nunes, as informações rigorosas e totalmente verosímeis sobre o matemático são escassas.Embora tudo se ignore sobre os seus pais ou os seus irmãos (se é que os teve), sabe-se que Pedro Nunes era cristão-novo. Facto curioso é que, apesar da sua origem judaica, nem Pedro Nunes nem os seus filhos foram, alguma vez, perseguidos pela Inquisição.Também da infância e adolescência de Pedro Nunes nada é conhecido. Pensa-se que tenha iniciado o seu percurso escolar em Portugal, onde terá aprendido as primeiras letras, o latim e as disciplinas do curso das Artes. É crença geral que tenha sido em Salamanca que o grande matemático português tenha iniciado os estudos universitários, por volta de 1521 ou 1522.A Universidade de Salamanca gozava então da maior fama e era considerada a primeira da Península Ibérica. Não se conhecem quaisquer documentos que comprovem a frequência de Pedro Nunes nesta Universidade mas admite-se que ele fosse lá aluno livre. Apesar de se terem perdido os livros de matrícula da época, que poderiam comprovar a passagem de Pedro Nunes por esta Universidade, a hipótese que se aponta como mais consistente é a de que Pedro Nunes se tenha licenciado em Artes, estudado Matemáticas e frequentado algumas cadeiras de Medicina, alcançando, porventura, o grau de bacharel nesta Faculdade. As disciplinas necessárias ao bacharelato em Artes, como, por exemplo, a Gramática, terão sido estudadas, provavelmente, em Portugal. Quanto às cadeiras referentes à licenciatura, nomeadamente a Lógica, a Filosofia Natural e a Filosofia Moral, crê-se que as tenha estudado em Salamanca. Esta hipótese explica o quadro de cadeiras que Pedro Nunes viria a leccionar aquando do seu regresso a Lisboa.Quase certa é também a hipótese de Pedro Nunes, além das disciplinas filosóficas, ter estudado também Matemáticas em Salamanca, onde a cadeira, que era designada de Astrologia, tinha por objecto principal a Teoria da Esfera e como disciplinas propedêuticas a Aritmética, a Geometria e a Perspectiva.Também os seus estudos de Medicina terão sido iniciados em Salamanca. A Universidade de Salamanca era, então, a preferida dos estudantes portugueses de Artes e de Medicina e tudo indica que também Pedro Nunes a tenha preferido para estes estudos. O que não se sabe é se terá concluído o bacharelato em Medicina em Salamanca ou em Lisboa pois só existem documentos que comprovam a sua licenciatura e doutoramento em Lisboa e não há registos de onde se terá formado bacharel.Se a sua frequência da Universidade de Salamanca é um dado praticamente adquirido, a sua possível passagem pela Universidade de Alcalá de Henares é, até hoje, uma mera conjectura, que não encontra argumentos documentados.Foi durante a sua permanência em Salamanca que contraiu matrimónio, em 1523, com uma castelhana de nome D. Guiomar de Areas (Aryas ou Arias), filha de Pedro Fernandes de Areas, um cristão velho.Do seu casamento nasceram quatro filhas (D. Isabel da Cunha, D. Briolanja, D. Guiomar Coimbra e D. Francisca) e dois filhos (Pedro Areas e Apolónio Nunes).Se o ano da ida de Pedro Nunes para Espanha é incerto, também o é a data de regresso. Como ponto de referência, apenas temos a data de 16 de Novembro de 1529, que marca a sua nomeação para cosmógrafo do Reino, o que mostra que, nessa data, já teria regressado à Corte.O facto de ter sido nomeado para cosmógrafo oficial prova que já então se devia evidenciar em estudos de Astronomia. Na verdade, os estudos de Medicina devem ter-lhe dados os conhecimentos astronómicos, que os médicos da época precisavam de ter para os aplicarem à clínica astrológica.Pedro Nunes era um apaixonado tanto pela Astronomia como pela Matemática, que teve de estudar a fundo para poder desenvolver os seus conhecimentos astronómicos.Em Dezembro de 1529, no mesmo ano em que assumiu o cargo de cosmógrafo, Pedro Nunes ficou responsável por uma cadeira de Filosofia Moral, da Universidade de Lisboa. Em Janeiro de 1930, fica encarregue da cadeira de Lógica e, em 1531 e 1532, da cadeira de Metafísica.Em 1531, foi convidado por D. João III para ser professor dos seus irmãos D. Luís e D. Henrique (futuro cardeal inquisidor, possivelmente o responsável pela imunidade de que Pedro Nunes e os seus descendentes gozavam face ao Tribunal do Santo Ofício).A 16 de Fevereiro de 1532, obteve a licenciatura em Medicina, pela Universidade de Lisboa.A 16 de Outubro de 1544, foi passada a Pedro Nunes a provisão para “ler a cadeira” de Matemática na Universidade de Coimbra, que, em 1537 fora transferida de Lisboa para aquela cidade.Começa, então, uma nova fase na vida de Pedro Nunes que, em Coimbra, estabelece residência fixa, acrescentando aos deveres que mantinha em relação ao cargo de cosmógrafo (e que o ligavam a Lisboa) as obrigações do magistério em Coimbra. Foi em Coimbra que conseguiu o ambiente propício ao desenvolvimento e à revisão definitiva da sua obra.Entretanto, em 22 de Dezembro de 1547, foi nomeado cosmógrafo-mor do Reino, tendo sido a primeira pessoa nomeada para este novo e importante cargo.Foi professor da Universidade de Coimbra até ser jubilado em 4 de Fevereiro de 1562.Durante todos estes anos de actividade, Pedro Nunes não parou de acumular cargos. Exerceu o cargo de cosmógrafo, o magistério universitário, a actividade docente e administrativa e o trabalho de criação e revisão da obra que até então produzira, fosse em forma de traduções anotadas ou de manuscritos originais.Não é, pois, de estranhar, que Pedro Nunes fosse uma figura imensamente respeitada em vários sectores da sociedade portuguesa da época.Manteve a sua residência oficial em Coimbra até falecer, embora se deslocasse várias vezes a Lisboa a pedido de D. João III. As suas deslocações a Lisboa eram no âmbito do seu cargo de cosmógrafo e aconteciam quase sempre na altura da Primavera, quando as naus se preparavam para as viagens de longo curso.

Obra de Pedro Nunes

Pedro Nunes é sobretudo conhecido pelas obras que publicou, onde se revelou como eminente cosmógrafo, físico, cosmólogo, geómetra, e algebrista.A sua obra consiste em:- traduções anotadas ou comentadas;- trabalhos originais.Em todas ficou bem vincado o seu prodigioso génio. Mesmo as suas traduções eram bem acompanhadas de notas ou de comentários pessoais aos passos mais obscuros e aos de mais difícil interpretação.É devido às suas obras que se considera Pedro Nunes como o mais genial matemático peninsular do séc. XVI, um dos maiores matemáticos mundiais do mesmo século e a maior glória matemática portuguesa de todos os tempos.Obras impressas:
Em 1537 - Tratado da EsferaInclui:- Tratado da Sphera - Theorica do Sol e da Lua, de Purbachio- Livro primeiro da Geographia de Ptolomeu- Tratado sobre certas duvidas de Navegacao - Tratado em defensam da carta de Marear
Entre 1537 e 1542 - Astronomi Introductorii de Sphaera Epitome
Em 1542 - Crepusculis Libri Unus (Esta foi uma das obras que mais reputação lhe conferiu nos meios científicos. É nesta obra que Pedro Nunes descreve o nónio, uma peça acessória graduada em graus, minutos e segundos que Pedro Nunes pensou juntar à linha do astrolábio náutico com o fim de medir fracções do grau. O nónio destinava-se às observações dos astros e servia para determinar rigorosamente as suas alturas.)
Em 1546 - Erratis Orontii Finaei
Em 1566 - Petri Nonii Salaciensis Inclui:- Rerum astronomicum Problemata Geometrica. - De Regulis et Instrumentis [...] - In Theorica Planetarum Georgii Purbachii
Em 1567 - Libro de Algebra en Aritmetica e Geometria Anvers (a primeira obra dedicada exclusivamente a questões de Álgebra publicada em Portugal).
Em 1571 - De Crepusculis Libri Unus
Em 1571 - De Erratis Orontii Finaei Conimbricae
Em 1573 - De arte atque ratione navigandi
Em 1592 - Petri Nonii Salaciensis Opera BasileiaManuscritos: Defensam do Tratado de Rumação do Globo para a Arte de Navegar Obras de que apenas há notícia:- Geometria dos triangulos spheraes - De ortu et occasu signorum - De astrolabio opus demonstratiuum - De planisphaerio geometrico - De globo delineando ad nauigandi artem - Traducao do De Architectura, de Vitrúvio Nónio

quarta-feira, 30 de abril de 2008

8º ANO: BIOGRAFIA-"VASCO DA GAMA"-PORTUGAL-IDADE MODERNA

Vasco da Gama
Vasco da Gama (1469-1524} foi um dos mais célebres navegadores portugueses. Foi a ele que D. Manuel I confiou o comando da frota que, em 8 de Julho de 1497, largou do Tejo em demanda da Índia, com 150 homens (marinheiros e soldados) distribuídos por quatro pequenos navios. A 17 de Abril de 1498, avistava Calecut (ou Calecute). Estava descoberto o caminho marítimo para a Índia.
Vasco da Gama regressou a Lisboa no verão de 1499, um mês depois de seus companheiros, pois teve de enterrar o irmão mais velho (Paulo da Gama que adoecera e acabara por morrer na ilha Terceira, nos Açores). D. Manuel recompensou este glorioso feito, nomeando Vasco da Gama almirante-mor das Índias e dando-lhe uma renda de trezentos mil réis que passaria para os filhos que tivesse. Recebeu, conjuntamente com os irmãos, o título de Dom e duas vilas, Sines e Vila Nova de Milfontes.
Voltou mais duas vezes à Índia, de que foi governador e segundo vice-rei e onde acabou por morrer, na cidade de Cochim.

8º ANO: REI LUÍS XIV-FRANÇA-ABSOLUTISMO-ANTIGO REGIME-IDADE MODERNA

O rei Luís XIV (1638-1715) o Rei-Sol
Rei Luís XIV
O rei Luís XIV (1638-1715), conhecido como o Rei Sol, foi o maior dos monarcas absolutistas da França. 
Sobe ao trono em 1661, um ano após o seu casamento com Maria Teresa, filha de Felipe IV da Espanha. 
Durante o seu reinado, que se estende por mais de 50 anos, dá incentivos às actividades culturais, persegue os protestantes, reorganiza o exército e trava guerras contra a Espanha, Holanda, Áustria e Luxemburgo. 
Constrói o luxuoso Palácio de Versalhes, onde vive a corte francesa. 
A ele se atribui a frase " L'État c'est moi " (O Estado sou eu)

terça-feira, 29 de abril de 2008

8º ANO: FILME "BARRY LYNDON"-IDADE MODERNA

BARRY LYNDON
Título original: Barry Lyndon
Realizador: Stanley Kubrick
Actores: Bryan O'Neal, Marisa Berenson, Patrick Magee, Hardy Krüger, Steven Berkoff, Gay Hamilton, Marie Kean,Diana Körner, Murray Melvin, Frank Middlemass, André Morell, Arthur O'Sullivan, Godfrey Quigley, Leonard Rossiter, Philip Stone.
Origem: Grã-Bretanha
Ano: 1975
Duração: 185 minutos
Como é que um jovem irlandês sem perspectivas na vida consegue entrar para a aristocracia inglesa do século XVIII? Para Barry Lyndon a resposta é simples: de qualquer maneira! A sua ascensão ao poder e à riqueza é o tema arrebatador desta sumptuosa versão de Stanley Kubrick do romance de William Makepeace Thackeray. Para fazer este deslumbrante e subtilmente irónico vencedor de 4 Óscares da Academia, Kubrick encontrou inspiração nos trabalhos dos pintores da época. Cenários e guarda-roupa foram executados segundo os métodos de então e foram construídas lentes especiais para filmar interiores e exteriores com luz natural. O resultado é um filme a todos os títulos inovador que transporta um período histórico para o ecrã como poucos o conseguiram.

8º ANO: FILME " AS LOUCURAS DO REI JORGE"-IDADE MODERNA

AS LOUCURAS DO REI JORGE
Título original: The Madness of King George
Realizador: Nicholas Hytner
Actores: Nigel Hawthorne, Helen Mirren, Ian Holm, Rupert Everett, Rupert Graves, John Wood, Amanda Donohoe.
Origem: Reino Unido
Ano: 1994
Duração: 107 minutos
No final do século XVIII, o rei Jorge III de Inglaterra começa a demonstrar sinais de demência, que motivam o seu afastamento para tratamento médico; o seu filho, o príncipe de Gales, alimenta intrigas palacianas para tentar usurpar o trono.
Apesar de alguns momentos hilariantes, o filme, baseado em factos reais, constitui uma reflexão dramática acerca das práticas médicas do século XVIII e dos limites do poder e suas arbitrariedades.

8º ANO: FILME " GERMINAL"-IDADE MODERNA

GERMINAL
Título original: Germinal
Realizador: Claude Berri
Actores: Gerard Depardieu, Miou-Miou, Renaud, Jean Carmet, Judith Henry, Jean-Roger Milo, Laurent Terzielf, Jean-Pierre Bisson, Jacques Dacqmine.
Origem: Bélgica / França / Itália
Ano: 1993
Duração: 153 minutos
Norte de França, meados do século XVIII, Montsou, uma cidade mineira. Etienne Lantier, um jovem desempregado que se torna mineiro, enfrenta uma verdadeira descida ao inferno. Um dia, decide entrar em greve. Filme sobre as tensões socias que irão desencadear a revolução francesa e precipitar a queda do Antigo Regime. Baseado numa obra imortal de Emile Zola.

8º ANO: FILME " LIGAÇÕES PERIGOSAS"-IDADE MODERNA

LIGAÇÕES PERIGOSAS
Título original: Dangerous Liaisons
Realizador: Stephen Frears
Actores: Glenn Close, John Malkovich, Michelle Pfeiffer, Uma Thurman, Keanu Reeves.
Origem: EUA / Grã-Bretanha
Ano: 1988
Duração: 119 minutos
Excelente adaptação do romance de Choderlos Laclos, acerca do eterno e universal poder manipulador do sexo, nos círculos aristocráticos franceses do século XVIII. Com Glenn Close, John Malkovich e Michelle Pfeiffer num inesquecível trio interpretativo. A perversa e fascinante marquesa de Merteuil (Glenn Close) planeia vingar-se do seu último amante, com a ajuda do seu velho amigo, o visconde de Valmont (John Malkovich), tão amoral e depravado como ela. Uma virtuosa mulher casada, Madame de Tourvel (Michelle Pfeiffer), pela qual Valmont se enamora, ver-se-á envolvida nas insidiosas maquinações da marquesa. Vencedor de três Óscares em 1988: melhor argumento adaptado (Christopher Hampton), melhor guarda-roupa e melhores cenários.

8º ANO: FILME " OS CAMISARDOS"-IDADE MODERNA

OS CAMISARDOS
Título original: Les Camisards
Realizador: Renné Allio
Actores: Jean Benguigui, Jean Bouise, Maurice Bénichou, Philippe Clévenot, Jacques Debary, Gérard Desarthe, Gabriel Gason, Hubert Gignoux, Dominique Labourier, Christine Laurent, François Marthouret, Geneviève Mnich, Philippe Nahon, Suzy Rambaud.
Origem: França
Ano: 1970
Duração: 105 minutos
Tendo como pano de fundo as revoltas camponesas em França entre 1702 e 1705, o filme reconstitui o confronto entre a minoria protestante (calvinista) e a igreja católica, uma importante página da história francesa do Antigo Regime, logo a seguir à revogação do édito de Nantes em 1698.

8ºANO: FILME "O PROCESSO DO REI"-IDADE MODERNA

O PROCESSO DO REI
Título original: O Processo do Rei
Realizador: João Mário Grilo
Actores: Carlos Daniel, Aurelle Doazan, Antonino Solmer, Carlos Martins Medeiros, Gérard Hardy, Muriel Brenner, Filipe Ferrer, Jean Lafront, Jean Rupert, Paulo Filipe, Marcello Urgeghe, Nuno Carinhas, Isabel Alves de Carvalho, António Loja Neves.
Origem: Portugal / França / Alemanha / Itália
Ano: 1989
Duração: 90 minutos
O Processo do Rei conta-nos a história do rei Afonso VI de Portugal que, no século XVII, perdeu para o irmão a mulher e o trono em virtude da sua alegada loucura. Afonso VI herdara o trono de D. João IV, o primeiro rei português após a Restauração, mas cedo demonstrou não possuir qualidades para ocupar o mais alto cargo da nação. Acabará por ser afastado, e a coroa entregue ao seu irmão Pedro. A própria mulher de Afonso, Maria Francisca de Sabóia, conseguirá do papa a anulação do casamento, para casar com o novo rei.

8º ANO: FILME " A TOMADA DO PODER POR LUÍS XIV"-IDADE MODERNA

A TOMADA DO PODER POR LUÍS XIV
Título original: La prise du pouvoir par Louis XIV
Realizador: Roberto Rossellini
Actores: Jean-Marie Patte, Raymond Jourdan, Silvagni, Katharina Renn, Dominique Vincent,Pierre Barrat, Fernand Fabre, Françoise Ponty, Joëlle Laugeois, Maurice Barrier, André Dumas, François Mirante.
Origem: França
Ano: 1966
Duração: 100 minutos
Depois da morte, em 1661, do cardeal Mazarino, primeiro-ministro todo-poderoso que governava a França, o jovem rei Luís XIV pretende passar a exercer ele próprio o poder. Para isso tem de lutar contra a influência de sua mãe, Ana de Áustria, e de alguns poderosos senhores da corte, e tem de submeter as ordens privilegiadas à sua autoridade. Com a ajuda de Colbert, Luís XIV vai tomando uma série de medidas (prisão de Fouquet, desenvolvimento da economia, engrandecimento do poder real através do grande aparato, luxo e etiqueta da corte), que lhe permitem alcançar o poder absoluto.
Rosselini reconstituiu de forma rigorosa os acontecimentos de uma época marcante da história, a forma como os monarcas absolutistas souberam impor o seu poder às ordens privilegiadas, impressionando-as com a sua grandeza e magnificência e desviando-lhes as atenções da vida política para a vida cortesã. A maior parte das cenas utiliza os cenários onde verdadeiramente aconteceram.

8º ANO: FILME "O HOMEM DA MÁSCARA DE FERRO"-IDADE MODERNA

O HOMEM DA MÁSCARA DE FERRO
Título original: The Man in the Iron Mask
Realizador: Randall Wallace
Actores: Leonardo DiCaprio, Jeremy Irons, John Malkovich, Gerard Depardieu, Gabriel Byrne. Origem: Reino Unido / EUA
Ano: 1998
Duração: 132 minutos
Em 1638, a rainha Ana de França dá à luz um rapaz, que será o herdeiro do trono. Mas apenas algumas pessoas sabem que, breves momentos após, nasce um irmão gémeo. 22 anos depois, o rei Luís XIV ocupa o trono da França, mas o seu estilo de vida e as despesas da guerra trouxeram a fome e a miséria ao povo francês. D'Artagnan, o comandante da guarda do rei, e os seus três companheiros mosqueteiros, Aramis, Athos e Porthos, estão decididos a mudar a situação. Aramis sabe da existência de um homem encarcerado numa prisão de alta segurança, cujo o rosto se encontra permanentemente oculto por uma máscara de ferro, que poderá constituir uma solução para os seus problemas. Baseado no romance homónimo de Alexandre Dumas.

8º ANO: FILME "CROMWEL"-IDADE MODERNA

CROMWELL
Título original: Cromwell
Realizador: Ken Hughes
Actores: Richard Harris, Alec Guinnes, Robert Morley, Dorothy Tutin, Timothy Dalton, Frank Finlay.
Origem: Reino Unido
Ano: 1970
Duração: 145 minutos
Insatisfeito com a política religiosa de Carlos I, Oliver Cromwell (1559-1658) planeia partir para o Novo Mundo com a sua família. Mas na véspera da partida, Cromwell vê-se arrastado para os meandros da política e religião, num extremar de posições que irá desencadear uma guerra civil.

8º ANO: FILME "A OBRA AO NEGRO"-IDADE MODERNA

A OBRA AO NEGRO
Título original: L'Oeuvre au Noir
Realizador: André Delvaux
Actores: Gian Maria Volonté, Samy Frey, Anna Karina, Philippe Leotard, Marie-Christine Barrault.
Origem: França
Ano: 1987
Duração: 105 minutos
Numa Europa profundamente agitada pelas convulsões sociais que marcaram o século XVI, Zenão, escritor e filósofo, regressa a Bruges sob um falso nome e inicia a prática da medicina, sobretudo junto dos mais pobres. Aristocrata e formado em direito canónico, Zenão vive modestamente, mas os seus métodos e opiniões pouco ortodoxos só não lhe trazem mais dissabores graças à protecção do prior da cidade. Quando o prior morre, Zenão não conseguirá livrar-se da acusação de heresia e é condenado à fogueira pela Inquisição. Num mundo conturbado, Zenão concentra em si o desejo de mudança e a vontade de alcançar a liberdade de pensar e conceber. Adaptação do romance homónimo de Marguerite Yourcenar.

8º ANO: FILME "ELISABETH"-IDADE MODERNA

ELIZABETH
Título original: Elizabeth
Realizador: Shekhar Kapur
Actores: Cate Blanchett, Geoffrey Rush, Christopher Eccleston, Joseph Fiennes, Richard Attenborough.
Origem: Reino Unido
Ano: 1998
Duração: 123 minutos
A história da subida ao trono de Inglaterra de Isabel I, num filme cheio de intrigas palacianas, tentativas de assassínio e execuções. O filme mostra-nos uma Inglaterra dividida pelas crenças religiosas, com o confronto entre católicos e protestantes. A rainha Maria Tudor, com a bênção do papa e da igreja católica, alimenta as fogueiras com os hereges protestantes. Os apoiantes da rainha convencem-na a aprisionar na torre de Londres a sua meia-irmã, Isabel, protestante e sucessora legítima do trono. Quando Maria Tudor adoece gravemente, o conde tenta convencê-la a assinar a sentença de execução da irmã para evitar uma crise social e manter o domínio Católico e o seu próprio poder. Mas a rainha hesita e, à sua morte, Isabel torna-se rainha. A jovem e inexperiente governante terá de aprender a desenvencilhar-se das intrigas políticas em que aqueles que a rodeiam procuram enredá-la.

8º ANO: FILME "GIORDANO BRUNO"-IDADE MODERNA

GIORDANO BRUNO
Título original: Giordano Bruno
Realizador: Giuliano Montaldo
Actores: Gian Maria Volanté, Mathieu Carrière, Charlotte Rampling.
Origem: Itália / França
Ano: 1973
Duração: 123 minutos
Na Europa do final do século XVI, Giordano Bruno é um nome incomodativo entre os meios eclesiásticos. Filósofo, astrónomo e matemático, Giordano Bruno ousou contrariar a teoria geocêntrica, que colocava a Terra no centro do universo, defendendo a noção da multiplicidade dos mundos e concebendo o Universo como um organismo vivo, auto-suficiente e infinito, que acaba por identificar com Deus. Percorre toda a Europa divulgando as suas ideias, o que lhe vale mais ódios do que aplausos. Quando em 1571 chega a Veneza, é denunciado à Inquisição, sendo preso e enviado para Roma. Aí passará seis anos enclausurado, e acaba por ser condenado à fogueira por heresia. A sentença foi executada a 17 de Fevereiro de 1600, em Campo dei Fiori, em Rome, na praça onde hoje se ergue uma estátua em sua memória. Impressionante reconstituição da vida de um grande precursor da ciência moderna.

8º ANO: FILME "CARAVAGGIO"-IDADE MODERNA

CARAVAGGIO
Título original: Caravaggio
Realizador: Derek Jarman
Actores: Nigel Terry, Sean Bean, Michael Gough, Sadie Corre, Jack Birkett, Una Brandon-Jones, Imogen Claire, Robbie Coltrane.
Origem: Reino Unido
Ano: 1986
Duração: 93 minutos
A vida e obra do pintor italiano Michelangelo Merisi Caravaggio, numa adaptação livre para o cinema, que inclui alguns anacronismos propositados.

8º ANO: FILME "A RAINHA MARGOT"-IDADE MODERNA

A RAINHA MARGOT
Título original: La Reine Margot
Realizador: Patrice Chéreau
Actores: Isabelle Adjani, Daniel Auteuil, Jean-Hugues Anglade, Vincent Perez, Virna Lisi, Dominique Blanc, Pascal Greggory.
Origem: França / Itália / Alemanha
Ano: 1994
Duração: 160 minutos
A noite de 24 de Agosto de 1572 ficou conhecida como a Noite do Massacre de São Bartolomeu, em que milhares de protestantes foram assassinados em Paris. É neste clima de perseguição religiosa que, numa tentativa de conseguir a paz, é combinado o casamento entre Margot de Valois, filha do imaturo rei católico Carlos IX, e o rei huguenote Henrique de Navarra. Catarina de Medicis move-se nos bastidores coordenando uma política de intrigas, envenenamentos e instigação ao incesto. Algumas cenas do filme foram rodadas em Portugal.

8º ANO: FILME "RESTAURAÇÃO"-IDADE MODERNA

RESTAURAÇÃO
Título original: Restoration
Realizador: Michael Hoffman
Actores: Robert Downey Jr., Sam Neill, David Thewlis, Meg Ryan, Polly Walker, Hugh Grant. Origem: EUA
Ano: 1995
Duração: 113 minutos
Em 1670, um jovem e ambicioso médico, Robert Merivel, salva a vida de alguém muito próximo do rei Carlos II de Inglaterra. O monarca convida-o então a juntar-se à sua corte e proporciona-lhe um estilo de vida compatível com a posição que ocupa. Mas as coisas começam a complicar-se quando o rei lhe ordena que case com a amante dele e a situação piora ainda mais quando o médico se apaixona por ela. O rei acaba por descobrir e expulsa Merivel, que terá agora de tentar reencontrar sua vocação e recuperar a dignidade.