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quarta-feira, 7 de maio de 2008

7º ANO: CRISTIANISMO

Correntes do Cristianismo

Dois movimentos históricos foram a causa primária dos vários ramos do cristianismo hoje existentes. O primeiro foi o denominado "Grande Cisma" entre o Oriente e o Ocidente, em geral datado de 1054, apesar de os debates entre a cristandade grega e a latina se terem iniciado séculos antes dessa data. O segundo foi a mudança verificada no século XVI, conhecida, em geral, por Reforma, cuja herança foi o protestantismo.
As igrejas ortodoxas orientais
A separação das igrejas orientais da cristandade ocidental foi, em grande parte, devida à proclamação da autoridade suprema do bispo de Roma. Houve também desacordo quanto à cláusula acrescentada ao credo de Nicena, pela igreja ocidental, em que se dizia que O Espírito Procedi tanto do R lho como do Pai uma doutrina que até hoje tem sido rejeitada pelas ortodoxos. Os membros mais conhecidos da religião ortodoxa são as igrejas grega e russa, mas existem várias outras, Pertencendo principalmente à Europa Oriental e ao Mediterrâneo Oriental (reflectindo, até certo ponto o Império Bizantino, a que Pertencem as raízes culturais dos ortodoxos). A autoridade na igreja Pertence não apenas a um indivíduo mas ao Conselho Ecuménico, cuja função é a de interpretar a "santa tradição" e administrar a disciplina. Cada igreja nacional tem o seu próprio patriarca e o patriarca de Constantinopla é o primeiro entre iguais.
A igreja católica romana
O maior grupo de cristãos, os católicos romanos, é composto por aqueles que creditam na primazia e autoridade do papa, o bispo de Roma. Como representante de Cristo na Terra (o "vigário de Cristo), o Papa encontra-se cabeça de uma hierarquia e bispos e de sacerdotes, entre os quais os cardeais têm a responsabilidade de eleger o Papa. Quando fala com toda a sua autoridade (ex cathedra), e na definição de matérias de fé ou de moral, as afirmações do Papa são consideradas como infalíveis e obrigatórias para todos os católicos, apesar de o Concílio do Vaticano II ter resultado numa maior tomada de atenção sobre a autoridade dos bispos em conjunto, como colégio episcopal. No centro do catolicismo romano encontra-se a missa (o serviço da comunhão bem como seis outros sacramentos: baptismo, confirmação, penitência, ordenação, casamento e unção dos enfermos (extrema-unção).
A igreja anglicana
A "comunhão" anglicana é uma família mundial de igrejas associadas ao arcebispo de Cantuária, cujo estatuto entre os outros dirigentes das igrejas Anglicanas é o de "primeiro entre iguais". A própria igreja-mãe de Inglaterra é vista por muitos como tendo as suas raízes no cristianismo celta, que floresceu nas Ilhas Britânicas muito antes de Agostinho de Cantuária levar para ali o Cristianismo de Roma. Apesar da separação de Roma, por altura da Reforma, o anglicanismo conservou um tipo de ministério católico e uma liturgia muito ligada ao seu passado católico, mas rejeitando as doutrinas do papado e da missa como sacrifício, bem como o conceito de sacerdócio que estas implicavam.
A igreja luterana
Dando forma aos ensinamentos do reformador alemão Martinho Lutero, representa a principal presença protestante na Alemanha e na Escandinávia, de onde partiu para encontrar aderentes por todo mundo. Os luteranos só o têm bispos em muito poucos países. A forma normal de governo é por intermédio de uma assembleia presidida por um superintendente-geral. Tal como o anglicanismo, o luteranismo adoptou uma atitude bastante conservadora em relação à liturgia, apesar a pregação do sermão ter sido sempre central.
As igrejas presbiterianas
Em contraste com o luteranismo, esta igreja seguiu os princípios de João Calvino, tal como exemplificados em Genebra, na altura da Reforma, mas, como os luteranos, pôs a ênfase na autoridade da Bíblia, considerando-a maior do que a da igreja. O governo da igreja está nas mãos dos presbitérios e de sínodos, ou tribunais de ministros e anciãos laicos, pertencendo a uma região particular. Tal como outras igrejas reformadas, os presbiterianos têm uma abordagem muito simples do culto, em que a leitura e a pregação das Escrituras, as orações e o canto de hinos e salmos são elementos básicos.
Congregacionalismo
Este movimento põe em relevo a independência da igreja local, independência que foi, em grande parte, o resultado de separatistas dentro do puritanismo britânico, que marcaram posição e não se quiseram envolver com a igreja nacional. Em comum com outras igrejas independentes, como a dos baptistas, salientam o facto de serem compostas por crentes e não pela sociedade em geral. A Igreja Reformada unida é uma fusão de presbiterianos e congregacionalistas.
As igrejas baptistas
Estas igrejas encontram-se agora por todo o Mundo e rejeitam o baptismo de crianças, afirmando que o baptismo foi concedido como sinal de fé por parte um adulto. As igrejas Dois movimentos históricos foram a causa primária dos vários ramos do cristianismo hoje existentes. O primeiro foi o denominado "Grande Cisma" entre o Oriente e o Ocidente, em geral datado de 1054, apesar de os debates entre a cristandade grega e a latina se terem iniciado séculos antes dessa data. O segundo foi a mudança verificada no século XVI, conhecida, em geral, por Reforma, cuja herança foi o protestantismo.
As igrejas ortodoxas orientais
A separação das igrejas orientais da cristandade ocidental foi, em grande parte, devida à proclamação da autoridade suprema do bispo de Roma. Houve também desacordo quanto à cláusula acrescentada ao credo de Nicena, pela igreja ocidental, em que se dizia que O Espírito Procedi tanto do R lho como do Pai uma doutrina que até hoje tem sido rejeitada pelas ortodoxos. Os membros mais conhecidos da religião ortodoxa são as igrejas grega e russa, mas existem várias outras, Pertencendo principalmente à Europa Oriental e ao Mediterrâneo Oriental (reflectindo, até certo ponto o Império Bizantino, a que Pertencem as raízes culturais dos ortodoxos). A autoridade na igreja Pertence não apenas a um indivíduo mas ao Conselho Ecuménico, cuja função é a de interpretar a "santa tradição" e administrar a disciplina. Cada igreja nacional tem o seu próprio patriarca e o patriarca de Constantinopla é o primeiro entre iguais.
A igreja católica romana
O maior grupo de cristãos, os católicos romanos, é composto por aqueles que creditam na primazia e autoridade do papa, o bispo de Roma. Como representante de Cristo na Terra (o "vigário de Cristo), o Papa encontra-se cabeça de uma hierarquia e bispos e de sacerdotes, entre os quais os cardeais têm a responsabilidade de eleger o Papa. Quando fala com toda a sua autoridade (ex cathedra), e na definição de matérias de fé ou de moral, as afirmações do Papa são consideradas como infalíveis e obrigatórias para todos os católicos, apesar de o Concílio do Vaticano II ter resultado numa maior tomada de atenção sobre a autoridade dos bispos em conjunto, como colégio episcopal. No centro do catolicismo romano encontra-se a missa (o serviço da comunhão bem como seis outros sacramentos: baptismo, confirmação, penitência, ordenação, casamento e unção dos enfermos (extrema-unção).
A igreja anglicana
A "comunhão" anglicana é uma família mundial de igrejas associadas ao arcebispo de Cantuária, cujo estatuto entre os outros dirigentes das igrejas Anglicanas é o de "primeiro entre iguais". A própria igreja-mãe de Inglaterra é vista por muitos como tendo as suas raízes no cristianismo celta, que floresceu nas Ilhas Britânicas muito antes de Agostinho de Cantuária levar para ali o Cristianismo de Roma. Apesar da separação de Roma, por altura da Reforma, o anglicanismo conservou um tipo de ministério católico e uma liturgia muito ligada ao seu passado católico, mas rejeitando as doutrinas do papado e da missa como sacrifício, bem como o conceito de sacerdócio que estas implicavam.
A igreja luterana
Dando forma aos ensinamentos do reformador alemão Martinho Lutero, representa a principal presença protestante na Alemanha e na Escandinávia, de onde partiu para encontrar aderentes por todo mundo. Os luteranos só o têm bispos em muito poucos países. A forma normal de governo é por intermédio de uma assembleia presidida por um superintendente-geral. Tal como o anglicanismo, o luteranismo adoptou uma atitude bastante conservadora em relação à liturgia, apesar a pregação do sermão ter sido sempre central.
As igrejas presbiterianas
Em contraste com o luteranismo, esta igreja seguiu os princípios de João Calvino, tal como exemplificados em Genebra, na altura da Reforma, mas, como os luteranos, pôs a ênfase na autoridade da Bíblia, considerando-a maior do que a da igreja. O governo da igreja está nas mãos dos presbitérios e de sínodos, ou tribunais de ministros e anciãos laicos, pertencendo a uma região particular. Tal como outras igrejas reformadas, os presbiterianos têm uma abordagem muito simples do culto, em que a leitura e a pregação das Escrituras, as orações e o canto de hinos e salmos são elementos básicos.
Congregacionalismo
Este movimento põe em relevo a independência da igreja local, independência que foi, em grande parte, o resultado de separatistas dentro do puritanismo britânico, que marcaram posição e não se quiseram envolver com a igreja nacional. Em comum com outras igrejas independentes, como a dos baptistas, salientam o facto de serem compostas por crentes e não pela sociedade em geral. A Igreja Reformada unida é uma fusão de presbiterianos e congregacionalistas.
As igrejas baptistas
Estas igrejas encontram-se agora por todo o Mundo e rejeitam o baptismo de crianças, afirmando que o baptismo foi concedido como sinal de fé por parte um adulto.
Fonte: As religiões do Mundo, Círculo de Leitores.

"As crenças dos gnósticos"
Nos primeiros tempos do cristianismo, as correntes ortodoxas separaram-se do que consideravam ser grupos heréticos - um dos mais poderosos dos quais eram precisamente os gnósticos. A palavra grega "gnosis" é geralmente traduzida como "conhecimento", pelo que os agnósticos são os que "não têm o conhecimento" e os gnósticos os que o têm. (…)Os gnósticos acreditam que se pode chegar às "autênticas verdades da existência" e que existe em cada indivíduo uma espécie de centelha divina que deve ser libertada. (…) Outra característica do gnosticismo é a visão de Deus como uma entidade dual, com um elemento masculino e outro feminino.
Adaptado de António Marujo, Público, 2006.

Dois ramos do Cristianismo na Idade Média: Igreja Católica Romana e Igreja Ortodoxa
O saque de Roma levado a cabo pelos exércitos das tribos do Norte, em 410, privou o imperador de Constantinopla de controlar a parte ocidental do seu Império. Décadas antes deste acontecimento, porém, as partes ocidental e oriental do Império tinham-se separado. A geografia dificultava o governo do Império a partir de uma capital central, e o facto de o Ocidente latino e o Oriente grego serem culturalmente distintos ainda agravou o problema. O cristianismo não estava imune às tendências centrífugas desta divisão. Os patriarcas de Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém conservavam zelosamente a sua independência e nunca tinham realmente aceite o primado de Roma. Além disso, apesar dos concílios ecuménicos terem sido obrigados a reconhecer Roma como a Igreja primaz, o facto de, desde 325, os imperadores romanos residirem em Constantinopla tornava a subordinação das igrejas a Roma uma ficção. Acrescente-se ainda que existiam questões teológicas que dividiam o Ocidente do Oriente. Muitos cristãos ocidentais não aceitavam a ideia de que Jesus partilhava a mesma substância com Deus (homoousios) e assim inseriram um "iota" na palavra mudando-a para "de substância semelhante" (homoiousios). Por mais trivial que possa parecer, esta questão tornou--se essencial entre os bispos de Roma e os bispos do Oriente. Com a queda de Roma, as diferenças religiosas atingiram um ponto crítico, e os bispos orientais reconheceram universalmente o primado do patriarca de Constantinopla. É a partir deste ponto que se pode falar de dois ramos distintos do cristianismo: o catolicismo romano concentrado no papa em Roma, e a ortodoxia oriental concentrada no patriarca de Constantinopla (actual Istambul). No Império oriental, agora chamado Império Bizantino, o cargo de imperador manter-se-ia até ao século XV. Ao longo dos séculos, os imperadores continuariam a ser efectivamente os chefes da Igreja ortodoxa, muitas vezes convocando concílios e interferindo nos assuntos religiosos. Em certo sentido, o sonho de Constantino realizou-se na medida em que a Igreja bizantina se confundia com o Estado.
Fonte: Adaptado de Brian Wilson, Cristianismo, Ed. 70.

A difusão da Igreja OrtodoxaParte das perdas da Igreja bizantina para o Islão foi compensada durante a Idade Média pelos ganhos missionários a Norte, nas estepes russas, e a Oeste, nos países balcânicos. Os pioneiros das missões aos povos eslavos foram Cirilo (826-69) e Metódio (c. 815-85) que, juntos, transformaram a língua es1ava em língua escrita (o alfabeto cirílico). Durante o princípio do século IX, os Búlgaros e os Sérvios aceitaram a religião de Constantinopla. Na década de 860, os Russos foram convertidos ao cristianismo ortodoxo e passaram a ter um bispo bizantino residente em Kiev. Um século depois, o cristianismo ortodoxo tornou-se a religião oficial do Estado russo. Mais tarde, quando o centro político russo se deslocou de Kiev para Moscovo, o centro religioso seguiu o mesmo caminho; a chefia da Igreja russa reside em Moscovo desde 1328. Gradualmente, todas as Igrejas eslavas, excepto a russa, caíram sob o domínio islâmico. Foi nesta altura que o bispo de Moscovo se assumiu como patriarca, em 1589. Com Constantinopla vencida, Moscovo seria agora a terceira Roma e centro de toda a cristandade. Este facto, curiosamente, quase dividia a Igreja russa em duas facções, cada uma afirmando que representava a unidade da cristandade. Tal como os imperadores bizantinos, o czar russo (uma corrupção da palavra latina César) pretendia aumentar a subordinação da Igreja russa ao Estado. O patriarca de Moscovo, Nikon (1605-81), por outro lado, procurava contrariar esta tendência afirmando o poder moral da Igreja sobre o Estado. (…) Finalmente, em 1721, o czar Pedro, o Grande, aboliu o patriarcado de Moscovo e transformou a Igreja russa num sector dentro da burocracia do Estado.
Fonte: Adaptado de Brian Wilson, Cristianismo, Ed. 70.

O movimento de contestação à Igreja Católica do século XVI
Por todo o lado, (no início do século XVI) as paróquias locais vinham a sofrer com os sintomas de negligência, indiferença, e os clérigos sem educação nem formação já não correspondiam às expectativas de muitos cristãos, numa época crescente de instrução. A necessidade da Igreja reabastecer os seus cofres com dinheiro seguro levou à prevalência dos hábitos imorais de ~ vender cargos da Igreja e de tentar comprar favores divinos na vida após a morte, adquirindo indulgências.
Estas práticas foram encaradas com raiva e, em alguns casos, com uma feroz resistência dos camponeses. Assim, por volta do século XVI, alguns cristãos estavam determinados em levar a cabo uma reforma. O humanista cristão holandês Desidério Erasmo (c. 1466-1536) foi um desses exemplos.
Erasmo era um teólogo erudito notável e um famoso autor de muitos livros que se tomaram populares pelos seus ataques mordazes e satíricos ao fraco estado da Igreja. Também procurou um melhor conhecimento dos textos originais hebraicos e gregos da Bíblia, na esperança de reformular a opinião teológica a partir destas fontes exactas. Ele abominava a violência e queria apenas impulsionar a Igreja a adquirir um pouco de senso comum, mas a Europa parecia ansiosa por mais reformas e, ao invés, a sua obra ajudou a abrir caminho para a Reforma. A controvérsia subsequente sobre a obra de Erasmo e a violência daí resultante iriam dividir a Igreja do Ocidente. Tal como diz um famoso ditado do século XVI: "Erasmo pôs o ovo e Lutero chocou-o."
Aliado à inquietude popular e espiritual que se sentia por toda a Europa, havia o desejo de muitos monarcas de controlar as suas Igrejas nacionais e os terrenos da Igreja. Estes governantes constituíam um desafio crescente às autoridades de Roma, uma vez que os estados-nações estavam a tomar-se cada vez mais fortes. Enquanto que as intenções dos governantes tinham pouco a ver com a reforma da Igreja, as suas atitudes permitiram o sucesso da Reforma, ao mesmo tempo que o poder do Papa enfraquecia.
Fonte: Michael Collins e Matthew A. Price, História do Cristianismo, Civilização.
Igrejas Protestante do século XVI
Entretanto, outros reformistas começavam a seguir os passos de Lutero. Ulrico Zuínglio (1484-1531) da Suiça, por exemplo, tinha chegado sozinho a conclusões muito semelhantes às de Lutero. Zuínglio aceitava apenas as escrituras como única autoridade da igreja, pregava a salvação unicamente por meio da fé e, como Lutero, rejeitava todos os sacramentos, excepto aqueles baseados na Bíblia que eram o baptismo e a eucaristia. As reformas de Zuínglio foram aceites em Zurique e alastraram a outras zonas da Suíça, Alemanha e França. Por altura da morte de Zuínglio em 1531, o movimento reformado (assim chamado para se distinguir de um luteranismo mais moderado) tinha já urna influência apreciável. O movimento reformado encontrou o seu grande chefe seguinte num advogado francês chamado João Calvino (1509-64). Calvino seguiu o exemplo de Zuínglio e quis fazer de outra cidade suíça a vitrina das suas reformas. A cidade de Genebra, de Calvino, em breve, tornar-se-ia o centro internacional da tradição reformada, enviando daí missionários para todo o continente europeu, Inglaterra e Escócia. Calvino era também um teólogo inovador. Retirou de Lutero a ênfase na transcendência de Deus para a sua conclusão lógica: se Deus é, efectivamente, soberano absoluto sobre a sua criação, Calvino chegou à conclusão de que isto significava que a vontade de Deus tudo controlava, inclusive a eventual salvação ou condenação de cada um dos seres humanos. Além disso, a soberania absoluta significava logicamente que Deus sabia desde logo quem seria salvo e quem seria condenado. A esta doutrina chama-se predestinação. Depois de Calvino ter exposto a sua doutrina no livro lnstitutio Religionis Christianae (Instituição Cristã), esta tomou-se o credo do movimento reformado, também conhecido como calvinismo. (…)
Em 1534, o rei Henrique VIII (1509-47), agindo fundamentalmente por motivos políticos, pressionou o parlamento para fazer passar uma série de leis que nacionalizavam a Igreja romana, criando assim a Igreja de Inglaterra, cujo chefe máximo seria Henrique. A Igreja de Inglaterra, ou anglicana, conservou uma ! boa parte da estrutura do catolicismo romano, tanto em termos da sua administração episcopal como na sua liturgia. Com o tempo, a doutrina anglicana acabou por sofrer influências das ideias luteranas e reformadas, mas acabou por ser talvez o movimento mais conservador surgido da Reforma protestante.
Fonte: Adaptado de Brian Wilson, Cristianismo, Ed. 70.

7º ANO: CRISTIANISMO

A figura de Jesus
"O Jesus histórico"
Jesus não deixou escritos nem autobiografia, e muito pouco daquilo, que realmente disse pode, de um modo fidedigno, ser restaurado pela história.
As escrituras cristãs, incluindo as quatro biografias de Jesus chamadas Evangelhos, foram escritas algum tempo depois da sua morte. A imagem moderna que se tem de Jesus é, portanto, um composto feito a partir das análises criticas desses documentos e de uma contextualização cuidadosa dessas análises no mundo do judaísmo do primeiro século.
Presume-se que Jesus nasceu na Baixa Galileia algures entre 6 a 4 a.C. A sua família, pobre mas remediada, mantinha-se a custo como artesãos de aldeia, tal como muitos outros camponeses mediterrânicos da altura. Jesus aprendeu provavelmente o ofício do pai, a carpintaria, mas não teve uma educação formal. Contudo, deve ter frequentado a sinagoga local e ter adquirido aí pelo menos uma familiaridade oral com as Escrituras hebraicas e as questões do judaísmo farisaico. Além disso, Jesus, tal como os seus vizinhos, devia conhecer o mundo itinerante dos curandeiros, exorcistas e pseudo-profetas que se deslocavam por toda a Galileia.
Em certa altura da sua vida, Jesus foi atraído pelos ensinamentos de um pregador chamado João. A história não nos diz claramente de onde surgiu João nem quais eram as suas origens. Quando Jesus o encontrou, ele pregava nas margens do rio Jordão, que fica a um dia de caminho de Nazaré, terra natal de Jesus. Aí, João pregava a antiga mensagem dos profetas, dando ênfase ao fim iminente do mundo pecaminoso e à instituição do reino de Deus num novo mundo. João ensinava que aqueles que quisessem sobreviver à transição deste mundo corrupto para o Reino de Deus, deveriam passar pelo antigo ritual judeu de purificação do baptismo. Ao que se sabe, Jesus teria aceite a mensagem e sido baptizado por João. Como muitos outros viandantes carismáticos da altura, João atraiu o olhar perscrutador das autoridades romanas que consideravam esta pregação politicamente subversiva. João Baptista foi preso e executado. Com a morte de João, Jesus iniciou a sua própria carreira como pregador. Jesus, porém, parece ter alterado subtilmente a mensagem de João, afirmando que o reino de Deus na Terra já havia sido instituído. Como prova disso, Jesus realizava curas milagrosas e exorcismos, e como consequência do reino, Jesus exortava os seus ouvintes ao igualitarismo radical, ao rompimento com as hierarquias sociais e religiosas que dividiam as pessoas umas das outras.
Com esta mensagem tão ousada - especialmente na cultura altamente estratificada e patriarcal do Antigo Israel -, Jesus conseguiu atrair um grupo de discípulos que o acompanhava durante as viagens pelas aldeias onde difundia a sua mensagem.
Não sabemos se Jesus, nesta altura, atraiu os olhares das autoridades políticas, como acontecera com João. Jesus, porém, selou o seu destino quando decidiu levar a sua mensagem ao centro político e religioso do reino de Israel, Jerusalém. Jerusalém ficava apinhada de pessoas durante os períodos festivos, e o templo era um local excelente para Jesus se dirigir a uma audiência maior do que aquela que poderia encontrar nas zonas rurais. Assim, pouco tempo antes da Páscoa, Jesus e os seus discípulos entraram na cidade e começou a pregar no interior do recinto do templo. Devido à natureza da sua mensagem, ou devido a algum incidente no templo, talvez as duas coisas, Jesus despertou a atenção das autoridades religiosas e políticas da cidade.
Em pouco tempo, Jesus foi preso e executado pelos Romanos através do vulgar método da crucificação. Isto ocorreu por volta de 33 d.C.
Fonte: Brian Wilson, Cristianismo, Ed. 70."Do Messias a Cristo"
"Do Messias a Cristo"
Dos centros de Jerusalém e da Galileia, o movimento de Jesus começou a enviar emissários da boa nova às sinagogas de Israel e da Diáspora. Muito provavelmente, estes emissários apresentavam, a quem os ouvia, versões orais da biografia de Jesus e exemplos dos seus ensinamentos. Isto teve dois grandes impactos no desenvolvimento da tradição. Em primeiro lugar, a mensagem do messianismo de Jesus era ainda considerada fundamentalmente política, e, embora ela interessasse a alguns judeus, muitas autoridades das sinagogas rejeitavam os missionários receando represálias dos romanos. Entre os novos missionários depressa se instalou uma atitude negativa relativamente às autoridades das sinagogas e, por fim, ao próprio judaísmo tradicional. O segundo grande impacto da missão às sinagogas foi o facto de ela ter sido o modo pelo qual a mensagem de Jesus começou a chegar ao mundo helénico ou grego e atrair seguidores não-judeus ("gentios"). Estes seguidores gentios chamavam-se cristãos, nome que tem origem na palavra christos (em grego, "o ungido" ou "Messias"). A missão aos gentios, porém, só começou a expandir-se mais rapidamente com o aparecimento de Paulo de Tarso (m. c. 65 d.C.). Paulo, que nunca conhecera Jesus, foi mesmo assim o missionário mais bem sucedido ~ dos primeiros tempos do movimento de Jesus. (…) Efectivamente, - como o próprio admitiu, Paulo era um dos mais enérgicos adversários dos missionários do movimento de Jesus. Contudo, segundo as suas próprias palavras, Paulo viveu uma poderosa experiência de conversão, quando viajava para Damasco. Desde então, Paulo tomou-se um fervoroso apoiante do messianismo de Jesus em toda a Diáspora.
Fonte: Adaptado de Brian Wilson, Cristianismo, Ed. 70.

7º ANO: CRISTIANISMO

Regras eclesiásticas
O celibato do clero
Uma das diferenças sacramentais entre o Oriente e o Ocidente tem a ver com a elegibilidade dos homens para a ordenação. O celibato universal era um ideal cristão desde os tempos apostólicos, embora isto se provasse muito pouco prático à medida que o cristianismo se expandia. Percebendo isto, os primeiros padres da igreja concordaram que pelo menos o clero deveria manter o celibato. Isto era também difícil de pôr em prática, e em breve se desenvolveu o costume de autorizar os presbíteros (padres) a casar antes da ordenação, embora, depois desta, o matrimónio (ou segundo casamento no caso de viuvez) fosse proibido. Os bispos, porém, continuavam a ser escolhidos entre o clero celibatário, o que significava que na prática a maioria dos bispos eram monges. Este sistema bipartido foi aprovado oficialmente, no século VI, pelo imperador Justiniano e ainda constitui actualmente a base da prática ortodoxa. Um sistema semelhante foi usado durante algum tempo na Igreja católico-romana. Porém, o clero ocidental depressa evidenciou uma clara tendência para formar dinastias locais em que as paróquias eram passadas de pais para filhos. Este costume acabou por perturbar o controlo central exercido pelo papado, e por isso foi gradualmente abandonado no Ocidente. Por fim, no século XI, o celibato obrigatório para todo o clero católico-romano foi legalmente prescrito pelo papa Gregório VII.
Fonte: Adaptado de Brian Wilson, Cristianismo, Ed. 70.

7º ANO: CRISTIANISMO

Os Ensinamentos de Jesus
Jesus cresceu como judeu e dentro da fé judaica, mas pregou uma extensão do judaísmo. Jesus cria que todos os homens e mulheres, fossem eles Judeus ou gentios, deviam amar-se uns aos outros e a Deus, do fundo dos seus corações. Quebrou muitas das rigorosas leis judaicas ao fazer milagres, como, por exemplo, curar doentes durante um sabbath (período em que os Judeus não devem executar tarefa alguma) e sentar-se para comer ao lado de não judeus. Defendeu os que eram expulsos pelos judeus por terem desobedecido às leis e pregou a tolerância perante o pecado e o perdão aos inimigos. As suas ideias revolucionárias assustaram os líderes judeus, que o denunciaram aos ocupantes romanos, e Jesus foi preso, julgado e condenado à morte por crucificação - uma forma de execução corrente na época. Segundo os Evangelhos, três dias depois de morrer ressurgiu dos mortos e apareceu aos seus seguidores. Foi a isso que se deu o nome de Ressurreição. Mais tarde ascendeu ao Paraíso.
Fonte: As religiões do mundo, Círculo de Leitores/Editorial Estampa

7º ANO: CRISTIANISMO

Cristãos no Novo Mundo
Nos séculos XVI e XVII, precisamente quando as novas religiões congregavam adeptos, ocorriam as descobertas das terras da América do Norte e da América do Sul. Entre aqueles que decidiram ir fixar-se nessas novas terras, contavam-se os que achavam que as suas crenças não eram bem aceites nos seus próprios países. Cento e dois puritanos ingleses foram os primeiros a viajar para a América do Norte, atravessando o Atlântico no Mayflower. Esse movimento religioso tem tido um efeito duradouro sobre as religiões e a sociedade dos EUA. Hoje, há na América do Norte muitas formas diferentes de cristianismo. Renascimento Desde os anos que se seguiram à Reforma até aos nossos dias, tem havido imensas explosões de intensa excitação religiosa, sobretudo entre as crenças protestantes. Tais explosões são conhecidas por "renascimentos". No século XVIII, por exemplo, John Wesley fundou uma seita com o nome de Metodistas, cujos membros eram ensinados a acreditar na salvação apenas através da fé. Tinham pregadores laicos. Estavam separados da Igreja Anglicana e estão hoje muito espalhados nos EUA.
O último renascimento foi conduzido por Billy Graham, um evangelista americano, que usou a televisão e a rádio para difundir a sua mensagem. Também organiza grandes reuniões públicas, não só na América mas em todo o mundo. Um evangelista é alguém que procura a verdade nos evangelhos.
Fonte: As religiões do mundo, Círculo de Leitores/Editorial Estampa

7º ANO: CRISTIANISMO:CRONOLOGIA DOS EVANGELHOS

Cronologia dos Evangelhos




















Fonte: A vida no tempo de Jesus de Nazaré, Verbo.

7º ANO: CRISTIANISMO: MAPA CRONOLÓGICO




Fonte: As religiões do mundo, Círculo de Leitores/Editorial Estampa

7º ANO: CRISTIANISMO

A ascensão do Cristianismo
Este ressurgimento do paganismo, mais nacionalista do que nunca, foi acompanhado por perseguições violentas contra a religião que se tomara a sua maior concorrente, o cristianismo. Depois da redacção dos Evangelhos, dois séculos antes, o número de cristãos aumentou regularmente. Trata-se, sobretudo, de comunidades citadinas, constituídas por elementos das classes baixa e média da sociedade. A Igreja desenvolveu-se de forma particularmente rápida e vigorosa no seio das antigas cidades-estado da Ásia Menor. No entanto, a acção missionária cristã tocou precocemente o Ocidente - no aglomerado populacional de Roma os cristãos deveriam rondar a dezena de milhar em 200 e três ou quatro vezes mais no ano 300. Ao fim de algum tempo as comunidades cristãs locais colocaram-se sob a firme autoridade dos seus bispos. A importância crescente do episcopado prejudicou a influência dos patriarcas locais e tornou a organização das dioceses mais eficaz. Cerca de 258, um dos primeiros bispos importantes do Norte de Africa, São Cipriano, insistia na solidariedade que unia os cristãos de todas as classes sociais. De facto, esta observação estava correcta pois a Igreja possuía uma solidariedade e uma coesão sem rival entre as religiões dessa época. Isto não impediu que, desde o início, os cristãos tivessem que enfrentar opositores. No Levante, os Gregos nunca gostaram deles porque se distinguiam ostensivamente do resto da população: os adeptos de Jesus proclamavam-se estrangeiros, viajantes de passagem. Esta atitude pouco amigável acabou por se estender também ao seio da administração imperial romana. Durante o reinado de Nero, em 64, os cristãos já tinham sido acusados de serem os responsáveis pelo grande incêndio de Roma, mas esta calúnia não convencera ninguém. Septímio Severo foi o primeiro a organizar perseguições sistemáticas em todo o império: interditou aos cristãos qualquer actividade missionária e puniu severamente os convertidos. Para as autoridades imperiais, afectadas por dificuldades de todo o tipo, a eficácia da organização dos cristãos parecia, cada vez mais, uma provocação. O imperador Décio considerou intolerável a recusa dos cristãos em acatarem os ritos comunitários pagãos e exigiu que cada cristão observasse, pelo menos uma vez, os ritos religiosos tradicionais. Dado que os membros da Igreja eram, sobretudo, citadinos, tinham dificuldade em passar despercebidos e encontravam-se, assim, perigosamente vulneráveis. Muitos conseguiram escapar no momento da verdade; outros apostataram, ainda que provisoriamente; e outros, por fim, recusando-se terminantemente a sacrificar aos ídolos, foram mortos. Na qualidade de mártires, foram-lhes construídos santuários e a devoção que lhes era dirigida, semelhante à dedicada aos heróis pagãos, constituía um encorajamento poderoso para os outros fiéis. Galieno pôs fim às perseguições e inaugurou uma política de tolerância que durou quarenta anos. Este período de apaziguamento permitiu à Igreja consolidar-se, a ponto de inquietar os pagãos. Um aluno de Plotino, Profiro, redigiu um panfleto, denominado Contra os Cristãos, no qual estes foram ferozmente atacados. Os amigos de Profiro inspiraram, então, a grande perseguição lançada por Diocleciano e pelo tetrarca Galério.
Constantino também foi responsável por uma revolução ainda mais importante: a conversão do império ao cristianismo. De facto, as perseguições lançadas por Diocleciano e Galério não tiveram resultados. Galério, já moribundo, proclamara em 311, de acordo com Constantino e Licínio, o Edicto de Serdica que garantia a liberdade de culto a todos os cristãos. Em 312, Constantino obtém a vitória da ponte Mílvia sob os auspícios do signo da cruz, como ele próprio afirmou. No ano seguinte deu voz, com Licínio, à declaração de tolerância de Galério ao promulgar o Edicto de Milão.
De acordo com a tradição, Constantino devia adoptar um protector divino e a sua escolha recaiu sobre o deus-sol mas, ainda que essa divindade continuasse a figurar nas moedas até 318 ou 319, Constantino já havia revelado na altura da promulgação do Edicto de Milão a sua adesão à fé cristã.
Nos anos seguintes, Constantino pôs em prática uma série de medidas oficiais tendentes a favorecer os cristãos. Os sacerdotes, por exemplo, foram dispensados das obrigações municipais. O bispo de Roma, ou seja, o Papa, foi alojado no Palácio de Latrão e o imperador permitiu que a Igreja tivesse jurisdição própria. Assim, a Igreja e o Estado tinham cada um a sua autoridade suprema. (…)
Fonte: Roma. Mil anos de poder e glória, Selecções do Reader's Digest.

7º ANO: CRISTIANISMO

Oriente e Ocidente
Nos países do Leste, a Igreja manteve-se apegada às velhas tradições e não gostou de algumas modificações que estavam a verificar -se na religião em países do Ocidente. Em 1054, houve uma cisão formal da Igreja em duas partes. No Ocidente, a Igreja Católica Romana era chefiada pelo Papa, em Roma. Na cidade oriental de Constantinopla, um líder, apelidado de Patriarca, passou a dirigir a Igreja Ortodoxa Oriental. Ambas as Igrejas continuam ainda hoje a praticar o seu próprio ramo do cristianismo.
Fonte: As religiões do mundo, Círculo de Leitores/Editorial Estampa

7º ANO: CRISTIANISMO

A era das cruzadas
A cristandade implanta-se fortemente no Ocidente do século VI ao século XI graças, entre outras coisas, ao trabalho missionário dos monges: Itália, Gália desde o início do século II, Península Ibérica, ilhas Britânicas, países germânicos. Nos países francos, até ao século VIII, as estruturas eclesiásticas - bispados e mosteiros - constituem a única administração e as suas escolas impedem que as culturas grega e romana se percam. Essas estruturas contribuem também para a criação do Império do Ocidente de Carlos Magno, coroado em Roma pelo papa Leão III no Natal de 800. Nasce assim a noção de cristandade, onde os poderes político e religioso mantêm relações de assistência mútua mas também de um certo conflito no que diz respeito ao papel de cada um no seio da sociedade. Entretanto, o prestígio da dinastia carolíngia esbate-se, arrastando a Igreja no seu declínio, crise que é acentuada pela submissão de Roma ao protectorado do Sacro Império Germânico. A reforma da Igreja é mais uma vez obra dos mosteiros (Cluny), mas é sistematizada pelo papado, nomeadamente pelo papa Gregório VII (1073-1085). Beneficiando desta renovação, a cristandade atinge o seu apogeu no decurso dos séculos XII e XIII. As cruzadas, destinadas a libertar o túmulo de Cristo, são testemunho do dinamismo da fé desta sociedade e dos cavaleiros que nelas se empenham, embora esse fervor esteja ligado a motivações menos nobres. Nesta época, são criadas grandes universidades onde ensinam ilustres teólogos como Tomás de Aquino, são fundadas ordens religiosas, como as dos dominicanos e dos franciscanos. A arte gótica espalha por todo o lado edifícios magnificentes, sumptuosas catedrais. A França desempenha um papel importante nesta renovação teológica, espiritual, artística. Porém, esta idade de ouro é ensombrada pelo saque de Constantinopla pelos cruzados, em 1204, pela perseguição dos albigenses (cátaros) no Sul da França, pela instituição da Inquisição... Paralelamente, acentua-se a ruptura entre Roma e Constantinopla devido a querelas teológicas (iconoclastia no século VII), litúrgicas (emprego do pão ázimo), disciplinares (o celibato dos padres) e, sobretudo, em razão da não aceitação do primado pontifício de Roma. Em 1054, as duas Igrejas excomungam-se mutuamente, e, apesar de uma tentativa de reaproximação no concílio de Lyon em 1274, a unidade manter-se-á quebrada até ao concílio Vaticano II, em 1962.
Fonte: ABCdário do Cristianismo, Público.

7º ANO: CRISTIANISMO

Os primeiros homens da Igreja
Outra causa da derrocada do Império do Ocidente foi a proliferação de ermitas, monges e monjas que se afastaram da sociedade. São Bento de Núrsia (480-547} conferiu à vida monástica um grande prestígio. Além disso, o celibato, que não abrangia apenas os religiosos, deu origem a uma perigosa redução da natalidade. O imperador Constantino estabeleceu uma estreita aliança entre a Igreja e o Estado. No início, o Estado tomou-se o protector da religião cristã mas, quando a corte imperial se estabeleceu em Constantinopla, os bispos de Roma adquiriram uma autoridade própria, independente do poder laico. O bispo de Milão, Santo Ambrósio, aumentou ainda mais o domínio da hierarquia. Os papas Inocêncio I (401-417} e Leão I (440-461) negociaram, respectivamente com Alarico e Atila, mas só as negociações com Atila foram bem sucedidas. Neste mesmo período foram construídas magníficas igrejas em Roma. O Papa Leão I era da opinião que só a colaboração entre o Estado e a Igreja poderia garantir a coesão do mundo ocidental. Na realidade, esta aliança teve o efeito contrário: os dirigentes laicos desenvolveram um zelo inoportuno, a pedido das autoridades religiosas, no sentido de obrigarem os pagãos à conversão. Em 382, numa atitude espectacular, Graciano marca uma etapa na luta contra o paganismo ao retirar a estátua pagã de Vitória do lugar que ocupava no Senado. Teodósio I promulgou uma série de leis tendentes a suprimir o paganismo e começaram a surgir conflitos instigados pelos pagãos no Norte de Africa devido ao encerramento dos seus templos. A reacção dos bispos da região foi a exigência de uma legislação ainda mais constrangedora. Um dos grandes prelados que conduziram este movimento foi Santo Agostinho, homem da Igreja, intelectual prestigiado e grande escritor que nasceu em 354, em Tagaste (Souq Ahras, na Argélia}. Na juventude, recebeu uma educação esmerada no Norte de Africa e tomou-se professor de retórica em Médiolanum (Milão). Depois de ter abraçado - várias crenças religiosas - itinerário que descreve de forma apaixonada e introspectiva nas suas Confissões -, foi ordenado padre de Hippo Regius (Hipona, isto é, Annaba} e bispo três anos mais tarde, em 395. Santo Agostinho declarou-se favorável à conversão das forças pagãs pois, segundo ele, Cristo devia utilizar, à maneira de um general, os métodos militares para recuperar os desertores. A repressão imperial contra os pagãos prosseguiu na década de 40 do século V e as medidas coercivas baniram quase por completo o paganismo mas, no decurso dos anos cruciais do início do século V, esta perseguição agravou as fracturas que pretendia eliminar. Assim, a conversão forçada dos pagãos acabou por ter um papel importante na destruição do Império Romano do ocidente, à qual se juntaram as heresias que proliferaram e dilaceraram o cristianismo.
Fonte: Roma. Mil anos de poder e glória, Selecções do Reader's Digest.

7º ANO: CRISTIANISMO

A conquista de Roma
Nascida por volta do ano 30, a Igreja conquista também Roma, a capital do império, por volta de 50. Cerca de dez anos mais tarde, os apóstolos Pedro* e, depois, Paulo, instalam-se ali. Ambos são lá executados entre os anos 64 e 67, ao mesmo tempo que os primeiros mártires. Roma toma-se, a partir daí, o centro da Igreja, e aos bispos que presidem ao seu destino é dada uma primazia, cada vez mais reconhecida, sobre outros bispos. O cristianismo, trazendo uma resposta às buscas espirituais da época, conhece desde logo uma rápida expansão através das colónias romanas. Além disso, possuiu a auréola de prestígio que rodeia as religiões orientais, particularmente apreciadas na época. O seu crescimento não é afectado pelas perseguições de que é alvo, decretadas pelos governadores locais ou, por vezes, pelo próprio imperador, que as generaliza a todo o território imperial. Desde o seu nascimento que os ensinamentos sobre a igual dignidade dos seres humanos seduziu os escravos e os meios mais pobres, mas, ao pregar um Deus único, atraiu também mentes brilhantes pertencentes às classes médias e à aristocracia. Nos séculos II e III, autores de grande envergadura com formação clássica, como Ireneu, Tertuliano e Orígenes lançam, na esteira de outros escritores - os Padres Apostólicos do século I -, os fundamentos da teologia cristã. E, ao mesmo tempo que a unidade do Império Romano começa a vacilar, provocando o desaparecimento progressivo da religião oficial, a Igreja afirma-se como urna força nova, a única capaz de reavivar uma sociedade abalada pelo enfraquecimento das suas estruturas. De perseguida, passa em alguns anos a aliada e alicerce do poder imperial. Em 313, o imperador Constantino concede-lhe a liberdade de culto e proclama-se seu protector. Nos séculos IV e V, o cristianismo estende a sua influência a todo o império e começa mesmo a converter os bárbaros, populações que vivem nas fronteiras das províncias de Roma. Aprofunda simultaneamente a sua doutrina sobre Deus, que possui uma única natureza em três pessoas, a Trindade - Pai, Filho e Espírito Santo -, e sobre Jesus, proclamado ao mesmo tempo Deus e homem. Na verdade, o cristianismo defende a pureza dos seus princípios contra as heresias, correntes que se afastam daquilo que reconhece como a Tradição. Reúnem-se concílios* sob a égide do imperador, que examinam e condenam aqueles que são declarados hereges, entre os quais os mais brilhantes são Ario e Nestório. Os decretos aí aprovados definem, ainda com maior rigor, e recorrendo a conceitos da filosofia clássica, os dogmas fundamentais (pessoa, essência, natureza). Este trabalho teológico é levado a cabo por bispos que são não apenas pastores mas também grandes teólogos, como Cirilo de Alexandria, Atanásio, João Crisóstomo. Durante estas discussões doutrinais, o bispo de Roma tenta intervir com autoridade.
Fonte: ABCdário do Cristianismo, Público.

7º ANO: MAPAS DO CRISTIANISMO

Mapas do Cristianismo

"O Mundo Cristão actualmente
"



"A actividade missionária entre 1550 e 1700"



Reforma Protestante


7º ANO CRISTIANISMO

As festas do Cristianismo
As festas do Cristianismo

História Geral da Arte, Ediciones del Prado
"Como se comemora a Sexta-Feira Santa em Jerusalém?"Embora o cristianismo seja uma religião minoritária nesta cidade dominada por judeus e muçulmanos, Jerusalém desperta ainda a imaginação de muitos cristãos. Acredita-se que este é o lugar onde Jesus de Nazaré foi executado pelas autoridades romanas há cerca de 2000 anos. Os cristãos - acreditam que foi também aqui que Jesus ressuscitou, revelando a sua verdadeira identidade como o Messias. (…)Todos os anos, na Primavera, os cristãos católico-romanos reúoem-se em Jerusalém para comemorar a Sexta-feira em que Jesus percorreu o caminho desde o local da sua condenação até ao local da sua execução, Gólgota. O caminho por onde Jesus seguiu, agora chamado Via Dolorosa (Via-Sacra), não é longo, mas é recordado pelos acontecimentos significativos e comoventes que nele tiveram lugar. A peregrinação começa no local onde se pensa que se situava o palácio de Pôncio Pilatos, actualmente um liceu muçulmano, e os crentes católicos param nos outros treze sítios (ou "estações"). Em cada um destes, o chefe do grupo lê uma passagem dos Evangelhos que explica a importância do local. O grupo pode então orar, talvez cantar um hino, e depois continua. Na terceira estação, o grupo pára para contemplar o sítio onde se diz que Jesus caiu pela primeira vez sob o peso da grande cruz de madeira que carregava; na quarta estação, param para recordar o local onde Maria, mãe de Jesus, se destacou da multidão para confortar o filho no seu caminho para a morte.
Fonte: Adaptado de Brian Wilson, Cristianismo, Ed. 70.
"A organização do ano litúrgico"
Como o cristianismo se tomou a religião maioritária em muitas áreas do Império Romano, o calendário anual acabou por ser adaptado ao propósito cristão. No período transitório entre a Antiguidade e a Idade Média desenvolveu-se um complexo ano litúrgico cristão que se dividia em seis festas principais: Natal, dia de Reis, Sexta-feira Santa, Páscoa, Ascensão e Pentecostes. As primeiras destas cinco festas são comemorações de eventos da vida de Jesus. O Natal celebra o nascimento de Jesus; o dia de Reis (Epifania), o baptismo de Jesus (na Igreja ortodoxa do Oriente) ou a adoração dos reis Magos (na Igreja latina ocidental); Sexta-feira Santa, a morte de Jesus; o Domingo de Páscoa celebra a ressurreição de Jesus; e a Ascensão celebra a ascensão de Jesus ao Céu. Por fim, o Pentecostes é a celebração do aparecimento do Espírito Santo aos primeiros cristãos em Jerusalém, um acontecimento que assinala tradicionalmente a fundação da primeira Igreja cristã. (…) Quatro destas seis festas têm origem nas raízes judaicas do cristianismo; a Sexta-feira Santa e a Páscoa, que coincidiam com a celebração da Páscoa dos Judeus, e o Pentecostes e Ascensão, que coincidiam com a festa judaica do Shavuot.
Fonte: Adaptado de Brian Wilson, Cristianismo, Ed. 70.
O ano da Igreja

Brian Wilson, Cristianismo, Ed. 70,

7º ANO: CRISTIANISMO

A Bíblia
O Livro Sagrado do Cristianismo
A Bíblia
O Livro Sagrado do Cristianismo 
- A Bíblia A palavra "Bíblia" vem do grego Biblia, que significa simplesmente "os livros". O plural é significativo: a Bíblia é uma colecção de livros escritos ao longo de um período de mais de mil anos, em situações históricas e culturais muito diferentes e com uma rica variedade de estilos e de linguagens. Todavia, esta colecção acabou por ser considerada pelos cristãos como constituindo uma unidade, "a Bíblia", pois os seus livros foram reconhecidos como diferentes de quaisquer outros.
O Antigo Testamento A Bíblia é composta por duas partes desiguais. A primeira, que é de longe muito maior, os cristãos chamam-lhe "Antigo Testamento", e é muito simplesmente constituída pelas escrituras do judaísmo, em hebraico e aramaico. Apresentam a história e os pensamentos religiosos do povo de Deus até ao momento em que Jesus surgiu como o Messias dos judeus. Os cristãos sempre se consideraram como legítimos herdeiros da antiga Israel, e, portanto, aceitam os livros da Bíblia hebraica como inteiramente "canónicos", como parte das escrituras. Sem eles, as escrituras especificamente cristãs não poderiam ser compreendidas. Nas edições católicas romanas do Antigo Testamento estão incluídas algumas obras judaicas posteriores (em grego), por vezes consideradas como "deutero-canónicas", ou de menor importância do que as escrituras hebraicas. As Bíblias protestantes não incluem estas obras, que o judaísmo não aceitou como canónicas no Antigo Testamento, mas, por vezes, são impressas depois dele como uma secção separada, conhecida por "os Apócrifos". Os cristãos protestantes poderão lê-las para seu interesse e vantagem, mas não as aceitam como Escrituras.
O Novo Testamento Os livros especificamente cristãos da Bíblia, conhecidos por "Novo Testamento", incluem 27 escritos de cristãos do século I d.C., na sua maioria bastante pequenos. Apesar de a maior parte dos seus autores ser de origem judaica, os livros estão em grego, que era a língua comum do Império Romano. Compõem-se, em primeiro lugar, de quatro "Evangelhos", que explicam, a partir de diferentes pontos de vista, a vida e os ensinamentos de Jesus, seguidos pelos "Actos dos Apóstolos", que são uma continuação do Evangelho de Lucas para contar a história dos primeiros 30 anos da igreja cristã. A seguir, vêm treze cartas escritas por Paulo, 0 grande dirigente missionário, a igrejas e indivíduos; oito outras cartas de primitivos líderes cristãos, e o "Apocalipse de S. João", uma obra visionária feita ao molde da literatura apocalíptica judaica. Os escritos do Novo Testamento, apesar de produzidos num período relativamente curto em comparação com os muitos séculos de escritos do Antigo Testamento, são de estilos e conteúdos diferentes e até a qualidade literária do grego é muito variável.
Fonte: As religiões do Mundo, Círculo de Leitores.
Bíblia
Clube de História 7, Porto Editora