segunda-feira, 19 de Maio de 2008

7º ANO: BIOGRAFIA "CONFÚCIO" : CHINA

Confucionismo
Fundado na China no séc. VI a.C., o Confucionismo divide opiniões quanto ao seu carácter religioso ou filosófico. Fique a saber tudo sobre a doutrina e o homem que a fundou.


Confúcio: A Vida
O principal expoente desta religião foi K’ung-tze, ou K’ung-fu-tze, latinizado pelos antigos missionários jesuítas para Confúcio.
Confúcio nasceu em 551 a. C., no que era então o estado feudal de Lu, agora incluído na moderna província de Xantungue. Os seus pais, embora não abastados, pertenciam à classe alta. O pai era um guerreiro, distinguido tanto pelos feitos valorosos como pela sua ascendência nobre.
Confúcio era apenas um rapaz quando o pai morreu. Desde a infância que demonstrava uma grande aptidão para os estudos e, embora tivesse tido que trabalhar ainda criança para se sustentar a si e à mãe, conseguiu arranjar tempo para prosseguir os seus estudos preferidos. Fez tais progressos que, com 22 anos abriu uma escola à qual muitas pessoas acorreram devido à fama dos seus ensinamentos.
Casou aos 19 anos, trabalhou como funcionário administrativo e posteriormente como professor. Uma sublevação em Lu, em 517, obrigou Confúcio a refugiar-se no estado vizinho de Ch´I pelo período de um ou dois anos. Enquanto professor, Confúcio conseguiu que a maioria dos seus alunos fosse colocada em cargos governamentais de destaque, sem nunca conseguir para si uma posição do poder. Só aos cinquenta anos lhe foi dado um cargo, do qual se demitiu pouco tempo depois, pela falta de poder que lhe estava adstrito.
Sob a sua sábia administração, o Estado alcançou um grau de prosperidade e ordem moral nunca antes visto. Mas, devido às intrigas dos estados rivais, o Marquês de Lu foi levado a trocar a preservação do bom governo pelos prazeres ignóbeis. Confúcio ainda tentou demover o Marquês, mas em vão. Assim, Confúcio demitiu-se da sua alta posição e abandonou o estado.
Durante treze anos, acompanhado por discípulos fieis, deambulou de um estado para outro, em busca de um governante que quisesse ouvir os seus conselhos. Muitas foram as privações que sofreram. Mais do que uma vez correu o risco iminente de cair numa cilada e ser morto pelos seus inimigos, mas a coragem e confiança no carácter providencial da sua missão nunca o abandonou.
Enfim, regressou a Lu, onde passou os últimos cinco anos da sua longa vida a encorajar outras pessoas ao estudo e à prática da virtude. Morreu no ano de 478, com 74 anos de idade. O seu tempo de vida quase que coincidiu com o de Buda, que morreu dois anos antes com 80 anos.
Confúcio foi enterrado com pompa e circunstância. A sua sepultura, situada no exterior de Qufu, continua até aos nossos dias a manter-se como local frequente de peregrinações.
Depois da sua morte, Confúcio passou a ser o chinês mais influente da história da China e a ter todas as honras que nunca teve em vida. O governo chinês ordenou o “culto a Confúcio” e nomeou-o “co-assessor das divindades da Terra e do Céu”. Os seus preceitos e princípios foram incorporados na Lei Chinesa em 210 a. C.
Introdução ao confucionismo
Fundado na China, no séc. VI a. C., o Confucionismo é a doutrina oficial deste país onde, actualmente, 25% da população afirma viver segundo os seus princípios éticos. Em todo o mundo, o número de seguidores do Confucionismo atinge cerca de 400 milhões de pessoas.
O Confucionismo desenvolveu-se a partir dos ensinamentos do filósofo chinês Confúcio, nascido em 551 a. C. Preocupado com a corrupção e declínio moral que via à sua volta, Confúcio chegou à conclusão de que a única forma de voltar a ter uma sociedade saudável era conseguir que as pessoas se virassem para os princípios morais da Antiguidade que se encontravam nos clássicos antigos.
Muito preocupado com a conduta e os deveres interligados de governante e governado, pais e filhos, velhos e jovens, Confúcio começou a ensinar que a acção adequada é baseada nas cinco virtudes da bondade, seriedade, decoro, sabedoria e fidelidade. Os confucionistas acreditavam que a virtude era simplesmente a forma correcta e adequada de fazer as coisas.
Embora nunca tenha existido como religião estabelecida, o Confucionismo tornou-se a ideologia oficial do estado chinês. A partir da dinastia Han, a educação chinesa passou a ser quase exclusivamente confucionista e concebida para preparar jovens rapazes para o serviço governamental. Este facto criou uma poderosa classe de burocratas e eruditos, todos treinados pela filosofia confucionista, que deu forma a grande parte da história chinesa.
Por Confucionismo entende-se o complexo sistema de ensinamentos morais, sociais, políticos e religiosos edificado por Confúcio sobre as antigas tradições chinesas e perpetuado como a religião do Estado até aos nossos dias.
O objectivo do Confucionismo é produzir não apenas o homem de virtude, mas também o homem com estudos e boas maneiras. O homem perfeito deve combinar as qualidades de santo, erudito e cavalheiro.
O Confucionismo é uma religião sem uma revelação positiva, com um mínimo de ensinamentos dogmáticos, cujo culto popular se centra em oferendas aos mortos, na qual a noção de dever se estende para lá da esfera da moral para abraçar quase todos os pormenores da vida quotidiana.
Os textos confucionistas
Como o Confucionismo no seu sentido lato abarca, não apenas os ensinamentos imediatos de Confúcio, mas também os costumes tradicionais e os rituais a que ele deu a sua aprovação (e que actualmente estão muito acima da sua autoridade), reconhecem-se entre os textos confucionistas vários textos que até no seu tempo eram venerados como heranças sagradas do passado. Os textos estão divididos em duas categorias:
- os Clássicos – História, Poesia, Ritos, Mutações (I Ching), Anais da Primavera e Outono- os Livros – Analectos, Mêncio, O Grande Aprendizado e Doutrina do Significado.
O Clássico de História é um trabalho religioso e moral que segue a mão da Providência numa série de grandes eventos da história passada e que inculca a ideia de que o deus celestial oferece prosperidade e longevidade apenas ao governante virtuoso que tem no seu coração o verdadeiro bem-estar.
A publicação desta obra deve remontar ao séc. VI a. C., embora as fontes nas quais se baseiam os capítulos mais antigos possam ser quase contemporâneas aos eventos relatados.
O segundo Clássico é o de Poesia. Dos seus 305 pequenos poemas líricos, alguns pertencem à época da dinastia Shang (1766-1123 a. C.) e os outros remontam aos primeiros cinco séculos da dinastia Chow, ou seja, cerca de 600 a. C.
O terceiro Clássico é o das Mutações, um enigmático tratado sobre a arte da adivinhação através das raízes de uma planta nativa que, depois de atiradas, fornecem diferentes indicações segundo as combinações que fazem com um dos 64 hexagramas formados com três linhas quebradas e três linhas não quebradas. As curtas explicações que os acompanham, em larga medida arbitrárias e fantásticas, estão associadas à época de Wan e o seu ilustre filho Wu, fundadores da dinastia Chow (1122 a. C.). Desde a época de Confúcio, a obra já foi muito ampliada por um conjunto de dez anexos, dos quais oito são atribuídos a Confúcio. No entanto, apenas uma pequena parte deles será autêntica.
O quarto Clássico é o dos Ritos. Na sua forma actual, remonta ao segundo século da nossa era e é uma compilação de um vasto número de documentos, a maioria dos quais data da primeira parte da dinastia Chow. Fornece regras de conduta que chegam aos mais pequenos detalhes sobre actos religiosos de culto, funções da corte, relações familiares e sociais, em suma, sobre todas as áreas da acção humana. Actualmente, continua a ser o guia de referência para a conduta correcta de todos os chineses cultos.
Neste Clássico estão muitos dos reputados provérbios de Confúcio e dois extensos tratados compostos por discípulos, dos quais se pode dizer que reflectem com precisão as palavras e ensinamentos do mestre.
Um deles é o tratado conhecido como a “Doutrina do Significado”. Forma o Livro XXVIII dos Ritos e é um dos seus mais valiosos tratados. Consiste numa colecção de provérbios de Confúcio que caracterizam o homem de perfeita virtude.
O outro tratado, que forma o Livro XXXIX dos Ritos é o chamado “O Grande Aprendizado”. É composto por descrições do governante virtuoso pelo discípulo Tsang-tze, baseado nos ensinamentos do mestre.
O quinto Clássico é o pequeno tratado histórico conhecido como “Anais da Primavera e Outono”, que se diz ter sido escrito pelo próprio Confúcio. Consiste numa série de simples anais do estado de Lu, referentes aos anos 722-484 a. C.
No séc. XI, a “Doutrina do Significado” e “O Grande Aprendizado” uniram-se a outros textos confucionistas, constituindo o que agora é conhecido como “os quatro Livros”.
O primeiro destes Livros é o “Analectos”. É uma obra em vinte curtos capítulos, que mostram que tipo de homem Confúcio era na sua vida quotidiana e regista muitos dos seus espantosos provérbios sobre temas morais e históricos. Parece incorporar o autêntico testemunho dos seus discípulos, escrito por um da geração seguinte.
O segundo dos Livros é o Mêncio. Mêncio não era um discípulo directo do mestre, pois viveu um século depois. Ganhou muita fama como expoente dos ensinamentos confucionistas. Os seus provérbios, principalmente sobre temas morais, foram guardados pelos discípulos e publicados em seu nome.
Em seguida, vêm “O Grande Aprendizado” e a “Doutrina do Significado”.
Confucionismo: Religião ou Filosofia?
Há quem diga que o Confucionismo não é uma religião no verdadeiro sentido da palavra, porque Confúcio era um filósofo, um moralista, um homem de estado e um educador, mas não era um teórico da religião. Há quem diga que os pensamentos e ensinamentos de Confúcio têm a ver com filosofia ética, com princípios políticos e educativos, mas não com filosofia religiosa.
A essência de todos os seus ensinamentos pode ser resumida a uma só palavra: “Jen”. O equivalente mais próximo desta palavra é “virtude social”. Todas as virtudes que ajudam a manter a harmonia social e a paz, como a benevolência, a caridade, a magnanimidade, a sinceridade, o respeito, o altruísmo, a diligência, a amabilidade e a bondade estão incluídas no “Jen”.
A regra de ouro de Confúcio era: “Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti.” “Todo o mal que um inimigo te possa fazer deve ser devolvido com uma combinação de amor e justiça.”
As “virtudes universais” são: Sabedoria, Benevolência e Força Moral. Quando perguntavam a Confúcio o que era a benevolência, respondia: "é amar todos os homens"; quando lhe perguntavam o que era o conhecimento, respondia: “é conhecer todos os homens”; quando lhe perguntavam qual era a “virtude perfeita”, respondia: “seriedade, generosidade de espírito, sinceridade e bondade”.
Confúcio dava grande importância ao cultivo do carácter, à pureza de coração e à conduta. Incitava as pessoas a desenvolverem primeiro um bom carácter, que é uma jóia sem preço e a melhor de todas as virtudes.
A natureza do homem, segundo Confúcio, é fundamentalmente boa e com tendência para a bondade. A perfeição da bondade pode ser encontrada em sábios e santos. Todos os homens devem tentar alcançar o ideal levando uma vida virtuosa, possuindo um carácter muito nobre e cumprindo o seu dever de forma altruísta, com sinceridade e verdade. Aquele que está imbuído de um bom carácter e virtude divina é um magnificente tipo de homem. O homem magnificente agarra-se à virtude e o homem inferior não larga o conforto material.
Em O Grande Aprendizado, Confúcio revelou o processo, passo a passo, de como alcançar o autodesenvolvimento e de como ele flui para a vida quotidiana para servir o estado e abençoar a humanidade. Esta é a ordem de desenvolvimento estabelecida por Confúcio:- investigação de fenómenos;- aprendizagem;- sinceridade;- rectidão de propósito;- autodesenvolvimento;- família-disciplina;- auto-governação local;- auto-governação universal.
Os seus ensinamentos estavam muito virados para os problemas da boa governação. Confúcio disse que “o próprio governante deve ser virtuoso, justo, honesto e cumpridor do seu dever. Um governante virtuoso é como a Estrela Polar que, mantendo a sua posição, faz com que todas as outras estrelas a rodeiem. Como é o governante, assim serão os súbditos.
Para Confúcio, a sociedade era composta por cinco tipos de relação:- marido e mulher;- pai e filho;- irmão mais novo e irmão mais velho (ou jovens e velhos);- governante e súbdito;- amigo e amigo.
Um país seria bem governado quando todos fizessem a sua parte nestas relações. A China regeu-se por estes princípios até 1912, ano em que a filosofia confucionista foi abandonada como orientação de base para a governação.
De acordo com o Confucionismo, a sociedade deve ser regida por um movimento educativo, que parte de cima – equivalente ao amor de pai – e por outro de reverência, que parte de baixo – equivalente à obediência de um filho.
Por tudo isto, o Confucionismo não será considerado uma religião no sentido tradicional do termo, visto que nesta doutrina não existe nenhum tipo de sacerdote, nem livros sagrados e nem mesmo igreja.

A DoutrinaA base religiosa
A religião da antiga China, à qual Confúcio ofereceu a sua reverente adesão, era uma forma de culto à natureza muito perto do monoteísmo. Reconheciam-se vários espíritos associados a fenómenos naturais – espíritos de montanhas e rios, de terra e sementes, dos quatro cantos dos céus, da Lua, do Sol e das estrelas – todos estavam subordinados ao supremo deus celestial T’ien (Céu), também chamado de Ti (Senhor) ou Shang-ti (Senhor Supremo). Todos os outros espíritos eram apenas seus seguidores, agindo em obediência à sua vontade.
T’ien era o defensor da lei moral, exercendo uma providência benigna sobre os homens. Nada que fosse feito em segredo poderia escapar aos seus olhos omnividentes. O seu castigo pelos maus feitos tomavam a forma de calamidade ou morte prematura, ou de infelicidade para os filhos do malfazente.
Encontramos esta crença a reivindicar para si o motivo da conduta correcta em várias passagens dos Clássicos de História e de Poesia. Isto não é ignorado pelo próprio Confúcio que diz num dos seus provérbios que “aquele que ofende o Céu não tem ninguém a quem rezar”.
Outro motivo semi-religioso para a prática da virtude era a crença de que a felicidade das almas dos parentes falecidos dependia da conduta dos seus descendentes vivos. Ensinava-se que as crianças tinham esse dever para com os seus pais falecidos para contribuir para a sua glória e felicidade através das suas vidas de virtude.
A julgar pelos provérbios de Confúcio que foram preservados, ele não ignorou estes motivos para a conduta correcta, mas pôs a tónica no amor pela virtude. Os princípios de moralidade e a sua aplicação concreta às várias relações da vida foram incorporados nos textos sagrados, que, por sua vez, representavam os ensinamentos dos grandes sábios do passado ressuscitados pelo Céu para instruir a humanidade.
Estes ensinamentos não eram inspirados, nem revelados; no entanto, eram infalíveis. Os sábios nasciam com a sabedoria que o Céu pretendia que iluminasse as crianças dos homens. Assim, era uma sabedoria providencial, e não sobrenatural. A noção da revelação positiva divina está ausente dos textos chineses. Seguir o caminho do dever, tal como está descrito nas regras de conduta, estava ao alcance de todos os homens, desde que a sua natureza, boa de nascença, não tivesse sido irremediavelmente arruinada por influências viciosas.
Confúcio tinha a visão tradicional de que todos os homens nasciam bons. Nos seus ensinamentos, não se referia nada semelhante ao pecado original. Parece nem ter reconhecido a existência de tendências hereditárias viciosas. No seu ponto de vista, o que arruinava o homem era o mau ambiente, os maus exemplos, uma indesculpável submissão a apetites perversos que todas as pessoas, pelo uso correcto dos seus poderes naturais, podia e devia controlar.
A ruína moral provocada por sugestões de espíritos perversos não tinha lugar no seu sistema. Nem existia nenhuma noção de graça divina que fortalecesse a vontade e iluminasse a mente na luta contra o mal. Há uma ou duas alusões à prece, mas nada que mostre que a oração diária era recomendada ao aspirante à perfeição.

Os caminhos para a virtude
No Confucionismo, os caminhos para o desenvolvimento da virtude são naturais e providenciais, nada mais. Mas, neste desenvolvimento da perfeição moral, Confúcio procurou despertar em outros o entusiasta amor pela virtude que ele próprio sentia. Tornarmo-nos o melhor possível – esta era a sua maior preocupação na vida.
Tudo o que conduzisse à prática do bem devia ser avidamente procurado e utilizado. Para atingir este fim, o conhecimento correcto devia ser considerado indispensável. Tal como Sócrates, Confúcio ensinou que o vício brotava da ignorância e que o conhecimento levava infalivelmente à virtude. O conhecimento em que Confúcio insistia não era puramente o ensinamento científico, mas sim o exemplar conhecimento dos textos sagrados e das regras de virtude e decoro.
Outro factor sobre o qual pôs a tónica foi a influência do bom exemplo. Confúcio gostava de dar a conhecer aos seus discípulos os heróis e sábios do passado, aqueles cujos feitos e palavras ele procurou promover ao insistir no estudo dos clássicos antigos. Muitos dos seus provérbios registados são elegias a esses valorosos homens de virtude.
Também não deixou de reconhecer o valor dos bons e morais companheiros. O seu lema era associar-se aos verdadeiramente grandiosos e fazer amizade com os mais virtuosos. Apesar da associação aos bons, Confúcio fez ver aos seus discípulos a importância de acolher sempre a correcção fraternal dos erros de cada um. Aí, também a análise diária de consciência era inculcada.
Como ajuda suplementar à formação de um carácter virtuoso, valorizava muito uma certa quantidade de autodisciplina. Reconhecia o perigo, particularmente nos jovens, de se cair em hábitos de suavidade e de amor pela tranquilidade. Daí ele insistir numa indiferença viril em relação a confortos efeminados.
Também na arte da música reconhecia uma valiosa ajuda para provocar o entusiasmo para a prática da virtude. Ensinou aos seus pupilos as “Odes” e outras canções edificantes, que eles cantavam em uníssono com o acompanhamento de alaúdes e harpas.
Tudo isto, associado ao magnetismo da sua influência pessoal, conferiu uma forte qualidade emocional aos seus ensinamentos.

As virtudes fundamentais
Como base para a vida de bondade perfeita, Confúcio insistia principalmente nas quatro virtudes da sinceridade, benevolência, devoção filial e decoro. A sinceridade era uma virtude cardinal. Usada por ele, significava mais do que uma mera relação social. Ser verdadeiro e sincero no discurso, fiel às suas promessas, consciencioso nos seus deveres para com os outros – tudo isto e muito mais estava incluído na sinceridade.
Aos olhos de Confúcio, o homem sincero era aquele cuja conduta fosse sempre baseada no amor da virtude e que, consequentemente, procurasse observar as regras da conduta correcta no seu coração e em acções exteriores, tanto sozinho como na presença de outros.
A benevolência, que se revela na preocupação com o bem-estar dos outros e na prontidão em ajudá-los quando há necessidade, era também um elemento fundamental nos ensinamentos de Confúcio. A benevolência era considerada a principal característica do homem bom.
A terceira virtude fundamental no sistema confucionista é a devoção filial. No livro da Devoção Filial (que alguns consideram como o sexto Clássico), Confúcio registou que “a devoção filial é a raiz de toda a virtude” e que “de todas as acções do homem, não há nenhuma maior do que a devoção filial”.
Para os chineses, agora e antigamente, a devoção filial incitava o filho a amar e respeitar os seus pais, a contribuir para o seu conforto e a trazer felicidade e honra ao seu nome. Mas, ao mesmo tempo, levava essa devoção a um nível excessivo e errado. Como consequência do sistema patriarcal que prevalecia, a devoção filial incluía a obrigação de os filhos de viverem debaixo do mesmo tecto dos pais até à morte deste, mesmo depois de casados.
A vontade dos pais era suprema, a ponto de o filho ter de divorciar-se da esposa caso os pais não a aprovassem. Se um filho cumpridor tivesse vontade de admoestar um pai voluntarioso, era-lhe ensinado a fazer a correcção com a maior submissão. Embora o pai lhe pudesse bater até fazer sangue, o filho não poderia mostrar qualquer ressentimento. O pai não perdia o seu direito ao respeito filial, por maior que fosse a sua malvadez.
Outra virtude de importância primordial no sistema confucionista era o “decoro”. Abarcava toda a esfera da conduta humana, levando o homem superior a fazer sempre a coisa certa no sítio certo. Encontra expressão nas chamadas regras de cerimónia, que não estão confinadas a ritos religiosos e regras de conduta moral, mas que se estendem à desconcertante massa de costumes e usos convencionais pelos quais a etiqueta chinesa é regulada.
Os usos convencionais, bem como as regras de conduta moral, traziam consigo o sentido de obrigação que assentava em primeiro lugar na autoridade dos Clássicos e, em última análise, na vontade do Céu. Ignorá-los ou desviar-se deles era equivalente a um acto de falta de respeito.

A política
Confúcio conhecia apenas uma forma de governo, a monarquia tradicional da sua terra natal. Era a extensão do sistema patriarcal a toda a nação.
O rei exercia uma autoridade absoluta sobre os seus súbditos, tal como o pai sobre os seus filhos. Governava por direito divino. Era colocado no trono pelo Céu para iluminar as pessoas com leis sensatas e para guiá-las até à bondade através do seu exemplo e autoridade. Daí a sua designação de “filho do Céu”.
Para merecer este título, devia reflectir a virtude celestial. Apenas o rei com elevação de espírito ganhava os favores do Céu e era recompensado com a prosperidade. O rei indigno perdia a assistência divina e caía na ruína.
Os textos confucionistas estão cheios de lições e avisos sobre este tema da governação correcta. O valor do bom exemplo do governante é fortemente enfatizado. Vezes sem conta, é defendido o princípio de que as pessoas não podem deixar de praticar a virtude e de prosperar quando o governante dá o grande exemplo de uma conduta correcta.
Por outro lado, é veiculada em vários sítios a implicação de que quando o crime e a miséria abundam, a causa deve ser procurada no rei indigno e nos seus ministros sem princípios

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