quinta-feira, 15 de maio de 2008

8º ANO: BIOGRAFIA-ANTERO DE QUENTAL: HISTÓRIA DE PORTUGAL:REALISMO

Antero de Quental

  1. Escritor
  2. Antero Tarquínio de Quental
Grande poeta e pensador do séc. XIX, Antero de Quental distinguiu-se na história da Literatura Portuguesa pela sua obra ímpar e pelas suas ideias revolucionárias. Conheça este grande vulto da nossa literatura.
Antero Tarquínio de Quental nasceu em Ponta Delgada no dia 18 de Abril de 1842. Nascido no seio de uma das mais antigas famílias açorianas, Antero teve uma educação católica e tradicionalista, o que não o impediu de desenvolver as suas próprias ideias e capacidades reflexivas. Depois de iniciar os seus estudos na sua terra natal, foi para Lisboa para prosseguir a sua carreira de estudante. Em 1856, partiu para Coimbra para se matricular no curso de Direito da Universidade de Coimbra, onde alcançaria o grau de bacharel em 1864. Durante o período em que esteve a estudar em Coimbra, envolveu-se na agitação académica, particularmente através da organização secreta “Sociedade do Raio”, de que era presidente. Datam também deste período as suas manifestações de entusiasmo face aos movimentos sociais europeus, bem como a leitura dos grandes teorizadores do socialismo e dos filósofos da época, nomeadamente Proudhon e Hegel, que muito influenciaram o seu pensamento. Foi também nesta época que leu as obras de grandes vultos da literatura, como Balzac e Victor Hugo. Foi também no clima de agitação universitária que escreveu alguns dos seus poemas - muitas das composições que integram as Primaveras Românticas, publicadas apenas em 1872 - e as Odes Modernas, publicadas em 1865. Igualmente em 1865, e reagindo a Castilho, desencadeou a Questão Coimbrã, tão importante na evolução da cultura portuguesa, defendendo já a missão social da poesia por oposição ao lirismo ultra-romântico. Antero ascendeu, assim, a mentor da Geração de 70, pelo menos numa primeira fase. Entretanto, e após uma breve passagem pela terra natal, empregou-se como tipógrafo em Lisboa (1866), e depois em Paris, numa tentativa de contactar o mundo operário real. De regresso a Lisboa, colaborou com José Fontana na elaboração de associações operárias e, ao mesmo tempo, dedicou-se à intervenção revolucionária, escrevendo folhetos propagandísticos e artigos para a imprensa. Fundou, em 1872, a secção portuguesa da Associação Internacional dos Operários. A este período de combate, que perdurou até cerca de 1875, esteve também ligada a organização das “Conferências do Casino” (1871), ciclo da responsabilidade do grupo do Cenáculo (que incluía Eça de Queirós, Ramalho Ortigão e Batalha Reis, entre outros), que Antero elevara a centro de reflexão política, social e cultural. Nas conferências, leu um dos seus textos de análise histórica mais célebres – “Causas da Decadência dos Povos Peninsulares” - que corresponde aos desejos de transformação do país que animavam a sua geração. Em 1873, a morte do pai fê-lo regressar aos Açores, dotando-o de uma herança que lhe garantiu uma vida sem problemas económicos. Entretanto, atacado por uma doença estranha (identificada por alguns como psicose maníaco-depressiva), foi obrigado a moderar a sua actividade. Dirigiu ainda, com Batalha Reis, a Revista Ocidental (1875). Iniciou-se então um período de profundo pessimismo, que o levou a um sentimento da morte e da aniquilação pessoal (e universal), numa espécie de nirvana budista, como única forma de libertação face aos desespero de uma vida que via apenas como ilusão e vazio, e que os seus Sonetos Completos (reunidos em 1886) ilustram. Este período terminou por volta de 1860. No ano seguinte, seguiu para Vila do Conde, assumindo a educação das filhas, entretanto órfãs, de Germano Meireles, um seu amigo, e vivendo em relativa calma até ao fim dessa década. Aceitou ainda, em 1890, a presidência da Junta Patriótica do Norte, um dos movimentos de reacção ao ultimato inglês. Aos seus problemas pessoais e à persistência da doença, somava-se a desilusão face ao estado do país. Em 1891, regressou a Ponta Delgada e, no dia 11 de Setembro desse mesmo ano, suicidou-se com dois tiros de pistola. Fonte: Enciclopédia Universal, Texto Editora (Adaptado)
A obra
Antero de Quental ainda era estudante em Coimbra quando as suas capacidades literárias começaram a dar que falar. Desde 1860 que o nome do jovem poeta era conhecido na esfera literária devido à publicação em opúsculo anónimo da poesia “À história”, cujas estrofes abrem a primeira edição das Odes Modernas.Também em 1860, surgiram várias poesias e artigos de prosa em alguns jornais de Coimbra. Em 1861, a Imprensa Literária de Coimbra publica o folheto “Sonetos de Anthero”. Em 1865, é publicado o volume das Odes Modernas, a obra responsável pelo lugar de vulto que Antero de Quental adquiriu na Literatura Portuguesa. Dez anos depois, é publicada no Porto a segunda edição desta obra, contendo várias composições inéditas.Entretanto, em 1871 era publicado, no Porto, o volume das Primaveras Românticas.Mas Antero destacou-se também na prosa, estilo a que começou a dedicar-se em 1865 com Defesa da Carta Encíclica de Sua Santidade Pio IX Contra a Chamada Opinião Liberal.É neste ano de 1965 que sai o opúsculo Bom Senso e Bom Gosto, dirigido ao ultra-romântico António Feliciano de Castilho e que desencadeou a famosa “Questão Coimbrã”. A obra de Antero de Quental, que reflecte quer uma evolução quer a coexistência simultânea de várias facetas na sua personalidade e de um intenso drama interior, é fundamentalmente a de um pensador, de um doutrinário e conceptualizador. Mesmo o sentimento erótico e amoroso, presente em poemas de juventude, acaba por se tornar fundamentalmente alegórico, reflectindo anseios e abstracções, mais do que uma emotividade do poeta. Poeta da razão, da revolução, mas também do pessimismo, foi um sonetista exemplar, embora sem grande imaginação do ponto de vista linguístico. Foi sobretudo na prosa, onde revela grande poder oratório, que levou a cabo o melhor da sua obra crítica e doutrinária, na análise da filosofia da história portuguesa e na crítica do positivismo então dominante, a que opunha a necessidade de uma consciência espiritual no mundo. A esta concepção está ligada a ideia de santidade que sempre o dominou - não no sentido religioso cristão, mas com expressão no seu espírito combativo, numa epopeia da humanidade e na revolução, na sua fase combativa; e, em princípio e fim de vida, num apelo místico interior. Entre os seus textos de polémica e ensaio de maior relevo contam-se o folheto “A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais” (polémica travada com Castilho) e Tendências Gerais da Filosofia na Segunda Metade do Século XIX (1890). Pela sua envergadura intelectual, pela perfeição da sua técnica do soneto e pelo seu contributo para a história das ideias, é um dos nomes fundamentais da cultura portuguesa.
Fonte: Enciclopédia Universal, Texto Editora (Adaptado)

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